Jean-Luc Mélenchon, candidato da 'Front de Gauche' às presidenciais francesas, usa frequentemente o cravo vermelho na lapela em homenagem ao 'nosso' 25 de Abril. Qualquer que venha a ser o resultado que hoje obtiver, será sempre considerado estrondoso pela dinâmica de massas que foi a sua extraordinária campanha e revelador que é possível a construção de uma alternativa unitária republicana e socialista ao neoliberalismo que tem destruído a Europa.
Doce Ilusão
Divagações, considerações, devaneios e pensamentos sobre vivências, temas, experiências, tudo aquilo que me desperta interesse.
Domingo, Abril 22, 2012
Frente de Esperança
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Quinta-feira, Fevereiro 23, 2012
Domingo, Dezembro 04, 2011
O revolucionário do futebol
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| Sócrates (1954 - 2011) |
Médico com nome de filósofo. Craque da bola, capitão e uma das principais figuras de uma das melhores equipas de futebol jamais vista, a do Brasil no Mundial de 1982. Raro exemplo de futebolista politizado com posições revolucionárias, levou a Democracia ao seu clube, o Corinthians, antes mesmo que esta chegasse ao seu país. Uma grande referência que desaparece demasiado cedo. Até sempre, Dr. Sócrates.
A Democracia Corinthiana
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Quinta-feira, Novembro 24, 2011
Contas à Guterres
O inefável patrão da CIP, António Saraiva, quantificou ontem à noite na RTP os custos da Greve Geral ao país nuns estratosféricos 670 milhões de euros (sensivelmente o mesmo valor que se irão pagar só de comissões - fora os juros - aos agiotas da Troika).
Depois de avançar com uns ridículos 3,6 % de adesão à paralisação na Função Pública, o Governo aumentou a parada para uns espectaculares 10,5 %.
Ora, se o valor do PIB português em 2010 foi de 167,5 mil milhões de euros só posso concluir que estamos perante umas belas contas à Guterres.
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Segunda-feira, Novembro 21, 2011
Ilusão desmontada
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| Resultados Finais das Eleições Legislativas em Espanha (El País) |
Os media dominantes rejubilam: "Espanha vira à Direita", "Estrondosa maioria absoluta do PP" e "A Esquerda sofre a maior derrota de sempre" são algumas das tiradas utilizadas para iludir os menos informados. Vamos lá então desmontar as frases armadilhadas.
A Direita continua a governar em Espanha. Não existe qualquer mudança de fundo na linha de orientação que será seguida pelo novo executivo. Mais subserviência para com os mercados, mais austeridade e desemprego, mais conservadorismo e mais neoliberalismo. Apenas isso. Até os todo-poderosos mercados se fartarem do medíocre Rajoy e imporem um tecnocrata qualquer, como já fizeram na Grécia e em Itália. E a receita para o desastre continuará.
Tivesse Espanha um sistema eleitoral realmente proporcional e nunca o PP alcançaria maioria absoluta com cerca de 45 % dos votos. O incrível número de 52 círculos eleitorais beneficia largamente os dois partidos da alternância. A utilização do patusco método d'Hondt agrava ainda mais a disparidade existente entre o número de votos e o número de mandatos alcançados. Exemplo gritante: o PSOE e a IU. Com cerca de 1/4 dos votos relativamente aos socialistas, a coligação entre comunistas e várias forças progressistas consegue apenas 1/10 dos deputados.
Para além da vertiginosa subida da Izquierda Unida - passou de 2 para 11 mandatos - a esquerda independentista basca (AMAIUR), não obstante a feroz perseguição imposta pelo imperialismo castelhano, passou a ser a maior força política no País Basco e em Navarra, alcançando 7 deputados. Sem esquecer a esquerda republicana catalã (ESQUERRA), que mantém os 3 deputados no Congresso.
Pode-se concluir assim que os espanhóis saíram do caldeirão, mas caíram na fogueira. No entanto, o decréscimo acentuado da bipolarização (passou de 83 para 73 %) e o avanço significativo alcançado pela Esquerda são sinónimos de esperança e confiança para o futuro.
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Quarta-feira, Novembro 16, 2011
O país está entregue aos bichos
Sou ouvinte assíduo da Antena 1 e da Antena 3 desde há pelo menos uma década quando cortei definitivamente com a tralha descartável vinda das emissoras afectas à Igreja Católica e à Media Capital. Música de consumo rápido e obsoleto, informação enviesada e distorcida, publicidade às carradas. Eis a definição de lixo radiofónico que suponho perpetuar-se nestas estações com a conivência do público mais distraído e iludido com o rótulo modernista e glamouroso que lhes é impingido.
Escuto a Antena 1 e a Antena 3 regularmente porque lhes reconheço muito mérito na aplicação da definição de serviço público. Informação de qualidade e ampla divulgação da música portuguesa são duas das principais características das estações em questão. Por norma vario entre elas conforme a altura do dia: ao início da manhã e à noite, Antena 1; meio da manhã e tarde, Antena 3. Posto isto, habituei-me a ouvir Rui Estêvão na Antena 3 das 13h às 16h. Excelente programa pelo sinal. A mistura perfeita entre música moderna portuguesa, rock alternativo e tiradas quase sempre certeiras por parte do locutor, reveladoras de enorme sentido de humor e cultura da sua parte.
Não estranhei por aí além a sua ausência da emissão nos últimos dias. Provavelmente estaria de férias, pensei. Seria o mais natural. Infelizmente, estava enganado. Soube há pouco desta petição da qual Rui Estêvão é o primeiro subscritor:
Não é preciso ser muito inteligente para concluir que a apresentação desta petição tenha originado o afastamento de Rui Estêvão da Antena 3. Desta vez foi Peixeiro, perdão Pacheco Pereira, também conhecido como a "loira do regime", o agente provocador, servindo-se do tempo de antena que lhe é dado pela estação do Balsemão para verborrear a seu belo prazer. Isto é, nem mais nem menos, do que o velho truque realizado em muitas das empresas outrora públicas: inicialmente, arruina-se, desprestigia-se, afunda-se; a seguir, hipocritamente, diz-se que, atendendo à situação alegadamente insustentável a que se chegou, não há outra solução se não privatizar. Já assisti muita vez a este filme. Rui Estêvão foi apenas a primeira vítima da caça às bruxas, leia-se funcionários da RTP/RDP/Lusa que ousarem protestar contra a bicharada que tomou de assalto os destinos do país.
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Terça-feira, Novembro 15, 2011
A carta que nunca te escrevi
Deve estar a fazer 10 anos. Estava um dia
frio e triste, tipicamente de Outono. Nada melhor para o alegrar do que
oferecer-te um ramo de rosas vermelhas. 24. Nunca soube porque escolhi esse
número, acho que foi o primeiro em que pensei. Pareceu-me bem. Redondo. Como
eu era ingénuo e apaixonado. Pensei que iríamos viver felizes para sempre
depois desse momento especial. Foi-o de facto, pelo menos por breves instantes.
E certamente inesquecível.
Cheguei primeiro ao nosso sítio. O nosso
banco, no nosso jardim. Tremia ligeiramente e não era apenas do frio. Estava
nervoso. Mal podia esperar para que chegasses. E passado pouco tempo lá
surgiste ao fundo. Não disfarcei o sobressalto, mas tentei esconder o ramo,
colocado estrategicamente a meu lado para poder sentir a tua reacção o mais
próximo possível quando te deparasses com a surpresa. A tal surpresa que
anunciei desajeitadamente por mensagem e te fazia apressar o passo. Apesar da
ansiedade que te recortava o rosto, trazias igualmente o sorriso pelo qual me
enamorei. Trémulo, mas estava lá. E quando a surpresa deixou de o ser, a tua
pálida face abriu-se num enorme e belo sorriso que me fez disparar a pulsação
vertiginosamente. Por momentos julguei ter conseguido, mas a felicidade foi
momentânea. O choro compulsivo que atravessou a perfeição revelou-me de
imediato que seria impossível. Nunca acreditei no destino, mas nesse momento
tive a terrível sensação que nada mais por nós havia a fazer. Estava escrito
algures que os nossos caminhos se cruzavam apenas por algum tempo. Mais tarde
ou mais cedo uma qualquer encruzilhada confirmaria o inevitável. Apesar disso
não desisti. Lutei muito e durante muito tempo contra isso. Recusava-me
terminantemente a aceitar. O silêncio corrói, sufoca e sinto que é altura de o
desmascarar.
Tentei dar-te os parabéns pelo noivado.
Não consegui. Tentei desejar-te as maiores felicidades pelo casamento, mas
ainda foi pior a emenda que o soneto. Algo mais forte o impedia. Talvez a
teimosia. A simples ideia de te perder para sempre era demasiado
aterradora. E continuei na zona de conforto à qual chamo silêncio. Parece um
paradoxo classificar o silêncio como corrosivo, sufocante e confortável ao
mesmo tempo. No entanto, é apenas e somente caracterizado por possuir várias faces, distintas ou não entre si. Tal e qual como o teu sorriso extasiante ao qual se adicionaram
lágrimas. Lágrimas de impotência, presumo. Continuo a acreditar e a sentir que
assim seriam. E só quando percebi o funcionamento do silêncio concluí que já te
tinha perdido há muito tempo. 10 anos para ser exacto. Naquela tarde fria de
Outono, naquele banco de jardim.
Domingo, Novembro 13, 2011
Raptaram a Democracia
Primeiro, a implosão do Socialismo a Leste. Depois e de forma contínua, a submissão da Social-Democracia Ocidental ao Neoliberalismo até se chegar ao estado a que isto chegou. Deixaram o Capitalismo à solta e agora admiram-se que, nem Democracia Burguesa, muito menos Democracia Popular. A Europa está refém da Ditadura Financeira. É a hora dos tecnocratas assumirem o poder na Grécia e em Itália sem a legitimidade do voto popular. Basta-lhes o aval do eixo Merkozy-Mercados. O centro-esquerda capitula incondicionalmente e junta-se sem hesitação à direita conservadora e liberal na aplicação cega das medidas de austeridade que só irão provocar mais recessão e miséria. Este é o momento das esquerdas deixarem as fracticidas disputas ideológicas e promoverem a Unidade, na Rua e, posteriormente, nas Urnas.
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Quinta-feira, Outubro 27, 2011
Hoje
Há muito que deixei de ter paciência para assistir aos telejornais de hora e meia das televisões generalistas. Para além da incessante lavagem cerebral com as teorias das inevitabilidades e do empobrecimento não tenho a mínima pachorra para assistir a reportagens da treta que servem única e exclusivamente para encher chouriços.
Posto isto, costumo assistir diariamente ao Hoje às 22h na RTP2, acima de tudo pelo poder de síntese com que são veiculadas as principais imagens do dia, porque o conteúdo é basicamente o mesmo de sempre. Meia-hora é tempo mais do que suficiente para me poder considerar minimamente actualizado. No entanto, tenho que confessar o tremendo esforço de tolerância que faço nas noites em que o programa é apresentado pela execrável Sandra Felgueiras. Sim, essa mesmo, a jornalista responsável pelas reportagens mais parciais, descabidas e a roçaram a xenofobia transmitidas, desde que me lembre, pelo canal público de televisão. Refiro-me naturalmente às peças realizadas sobre as manifestações na Grécia no passado mês de Julho em que esta jornalista classifica o nível de vida grego três vezes superior ao português com base (pasme-se!) no preço de um quilo de arroz, em que afirma convictamente que o preço dos combustíveis na Grécia eram os mais elevados da Europa (quando afinal se situavam em quarto lugar) e, entre outros, na acusação vil e indiscriminada de corrupção e corporativismo a todos os funcionários públicos, tudo isto baseado em rumores e boatos, que me sugerem de imediato um profundo ódio social. Para os especuladores financeiros nem uma palavra. O código deontológico desta jornalista há muito que deve estar no lixo ou, quando muito, esquecido dentro de algum saco azul...
A notícia do dia foi, naturalmente, a acusação de homicídio a Duarte Lima. Em estúdio o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, para explicar à jornalista Sandra Felgueiras os contornos de uma possível extradição do antigo líder parlamentar do PSD para o Brasil. Peremptório, o advogado explicou de forma bastante clara e concisa que não existe acordo de extradição entre os dois países. Não satisfeita, a jornalista, retorquiu, questionando sobre a hipotética existência de alguma situação específica de possível extradição. Marinho Pinto não se deteve e contrapôs com o exemplo do Padre Frederico. E eu que, durante breves momentos, cheguei a pensar que da boca do desconcertante advogado iria sair algo como: "Olhe, repare-se no exemplo da senhora sua mãe. Também fugiu para o Brasil e não foi extraditada porque tem nacionalidade brasileira."
Com tudo isto lembrei-me de outro episódio ocorrido com esta jornalista e neste mesmo programa. Estamos em Janeiro deste ano, nas vésperas das Eleições Presidenciais e, desta vez, eram dois os convidados, João Soares e um antigo eurodeputado do PSD que, sinceramente, não me recordo do nome e, valha a verdade, nenhuma influência tem para o decurso desta história. A jornalista saúda os políticos e começa por perguntar ao antigo presidente da Câmara Municipal de Lisboa a opinião sobre a postura do seu pai que não apoia Manuel Alegre, candidato oficial do PS. João Soares não sente o toque e responde calmamente que apoia Alegre de forma convicta, nada tendo a ver com a decisão do seu pai e está ali apenas para responder por si. Pouco contente com a resposta, a jornalista, adorna a questão, acabando no essencial por a repetir. Agora, João Soares não disfarça o incómodo e responde algo como isto: "Se quer saber a opinião do meu pai sobre o facto de não apoiar Manuel Alegre vai ter que o convidar e perguntar-lhe directamente! Eu estou aqui para falar por mim!"
Serei só eu que embirro particularmente com esta jornalista ou a mediocridade e a desfaçatez são mesmo a sua imagem de marca?
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Sandra Felgueiras
Quinta-feira, Outubro 20, 2011
Contra o sectarismo e a ignorância
Este post é dedicado em especial a todos os sectários e ignorantes que grunhem à boca cheia que a Esquerda é apenas do contra e que não apresenta alternativas. Aqui fica a resposta concreta e factual, com dados publicado na edição de hoje do jornal i sobre as iniciativas parlamentares nos primeiros quatros meses desta legislatura.
Fazendo rapidamente as contas, chego à conclusão que, em média, cada deputado do BE apresentou quase 10 projectos, enquanto que os do PEV e do PCP apresentaram cerca de 5. No lado dos partidos da troika a pobreza é franciscana: CDS 0,75 - PS 0,27 - PSD 0,16. É fácil concluir quem está na Assembleia da República a trabalhar e quem se limita a levantar e baixar o braço.
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