Encarcerado por Mussolini e desde a cela na qual viria a morrer à míngua, Antonio Gramsci, célebre filósofo marxista italiano do primeiro terço do século passado, escreveu que “O mundo velho está a morrer, o novo ainda não nasceu. Este é o tempo dos monstros.”
Quão podre, cruel e desumano pode ser um sistema económico, dominado por elites financeiras profundamente corruptas e decadentes, que vai (sobre)vivendo à custa da criação dos tais monstros, os que lhes continuam a garantir a acumulação pornográfica de capital, à custa da escalada de confrontação, ingerência e agressão de povos, esmagamento das classes trabalhadoras e populares e apropriação contínua e criminosa dos recursos naturais do planeta, como se estes fossem infinitos, atirando-o para uma mais do que provável catástrofe climática em poucas décadas.
Bem podem os papagaios do costume repetir as alarvidades de sempre nas televisões para enganar os mais incautos: "foi pelo narcotráfico" - como se o Trump não tivesse indultado no mês passado o ex presidente das Honduras, condenado a 45 anos de prisão por tráfico de droga; "foi pela democracia" - como se o Trump não andasse de braço dado com a monarquia absolutista da Arábia Saudita, a ditadura mais sanguinária do mundo.
Estes indivíduos são tão grotescos que é o próprio Trump que se encarrega de os desmentir, com a maior desfaçatez de sempre e sem qualquer pudor, assumindo que o seu projecto é imperialista (os EUA querem controlar todo o continente americano, ameaçando todos os governos socialistas/sociais-democratas e/ou que não lhe prestam vassalagem - Brasil, Colômbia, Cuba e México, acima de todos) e colonialista (os EUA querem roubar todos os recursos naturais venezuelanos), duas das faces mais negras do capitalismo.
O Direito Internacional é a última linha antes da barbárie. Foi mais do que ultrapassada. Recordem-se disto se, por mero acaso, Trump achar que a Base das Lajes é demasiado pequena para os seus objectivos geoestratégicos e querer ficar com toda a Ilha Terceira. Ou, esta mais plausível, se invadir e ocupar a Gronelândia, com os seus gigantescos e inexplorados recursos naturais, conforme tem ameaçado. Talvez nem aí os cobardes e submissos governantes europeus e portugueses se levantem da posição de cócoras em que se encontram perante o imperialismo yankee. Como sempre aconteceu na História terão que ser inevitavelmente os povos e as classes trabalhadoras a levantarem-se contra os monstros. A humanidade só tem duas alternativas: Socialismo ou barbárie!
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