Mostrar mensagens com a etiqueta All Blacks. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta All Blacks. Mostrar todas as mensagens

domingo, abril 20, 2008

Haka!

A Ka Mate é a haka mais conhecida, muito por culpa da selecção neozelandesa de Rugby, os all blacks. Inspirada em acontecimentos reais dos inícios do século XIX, esta haka conta a história do prestígio de um chefe maori desafiado.
Os maori são os povos indígenas das ilhas da Oceânia, descendentes dos primeiros humanos que ali chegaram, cerca do século IX depois de Cristo. Actualmente, 8% da população neozelandesa pertence ao grupo étnico maori.
A Ka Mate é descrita pelos maori como a arte em que todo o corpo fala, na haka é essencial abrir e fechar os olhos em momentos específicos do refrão sendo a língua regularmente mostrada.
Os exploradores James Cook e Abel Tasman foram os primeiros europeus que presenciaram a haka.
Nas duas grandes guerras mundiais, os soldados maori que integravam o exército neozelandês mantinham este traço das suas raízes e executavam a haka antes das batalhas.
A haka tornou-se conhecida a nível planetário no 1º Campeonato do Mundo de Rugby disputado em 1987. Executada antes de cada jogo, a dança antecedeu prestações de luxo dos all blacks neozelandeses que viriam a sagrar-se campeões do mundo.
Passados mais de 20 anos a haka continua sempre a ser sempre executada antes de cada jogo tendo-se tornado um momento especial não só para os neozelandeses, mas também para a equipa adversária. No último Mundial disputado no ano passado em França, a selecção de Portugal teve a oportunidade única de presenciar e sentir a poucos metros a famosa haka Ka Mate. Em baixo o sublime momento histórico para o Rugby português, em especial para os Lobos:



Ka mate!
(Eu morro!)
Ka mate! (Eu morro!)

Ka ora! (Eu vivo!)
Ka ora! (Eu vivo!)

Ka mate! (Eu morro!)
Ka mate! (Eu morro!)

Ka ora! (Eu vivo!)
Ka ora! (Eu vivo!)

Tenei te tagata puhuruhuru! (Atenção! Ergue-se o homem cabeludo!)

Nana nei i tiki mai (Aquele que faz o Sol brilhar)

Wakhawhiti t era! (E fá-lo brilhar ainda mais!)

A, hupane! (Um passo para cima!)
A, hupane! (Outro passo para cima!)
A, hupane! (Um passo para cima!)
A, hupane! (Outro passo para cima!)

Whiti te ra! (O Sol brilha!)

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Impossible is nothing!

O meu primeiro contacto a sério com o Rugby deu-se durante a fase final do Mundial de 1995 realizado na África do Sul e fiquei absolutamente maravilhado com as perfomances de um jovem jogador neozelandês que se tornou o maior fenómeno de sempre do mundo oval! Recordo-me em especial do jogo dos 1/4 de final dessa prova em que o fantástico ala all black de seu nome Jonah Lomu converteu 4 ensaios frente à poderosa Inglaterra algo que ninguém conseguia fazer desde 1905! Depois dessa partida todos os holofotes se viraram para Lomu, ofuscando mesmo a presença de Nelson Mandela no jogo da final com os sul africanos. A Nova Zelândia era favorita como é sempre em todas as provas onde participa, mas os springboks com o apoio do seu público e a presença do lendário Mandela na bancada motivaram-se e levaram o jogo para prolongamento onde venceram por 15-12 não permitindo assim que a estreia de Lomu em mundiais fosse perfeita.

Lomu nasceu a 12 de Maio de 1975 em Auckland e tornou-se o mais jovem jogador de sempre a representar os All Blacks com apenas 19 anos. No ano seguinte bateu todos os recordes para um jogador de Rugby, foi o jogador mais jovem de sempre a atingir 12 ensaios em jogos internacionais num ano, foi eleito o melhor jogador do Mundial, eleito o desportista do ano na Nova Zelândia e escolhido para fazer parte do melhor 15 da modalidade de sempre. Os prémios, distinções e reconhecimento a nível mundial foram-se sucedendo e Lomu é considerado por muitos como o melhor jogador mundial de Rugby de todos os tempos.
Lomu tem 1m96 pesava 125kg e corria os 100 metros em 10,8 segundos. Tudo isto somado era absolutamente letal para os adversários, chegou a fazer ensaios após ultrapassar 8 oponentes! Era absolutamente impressionante o seu poder físico! No Mundial de 1999 converte 8 ensaios em 5 partidas, novo recorde mundial, mas mais uma vez em termos colectivos as coisas não correm bem aos all blacks que perdem na meia final contra a França.


Em 1996 sofre alguns problemas renais, mas suplanta-os, consegue resistir ao avanço da doença até finais de 2003 (pouco tempo antes da disputa do seu terceiro mundial) altura em que lhe é diagnosticada uma doença rara do foro renal (nephrotic syndrome) que o obriga a interromper a carreira falhando assim a participação no Mundial. O mundo oval temeu o afastamento precoce do seu maior ícone e nos primeiros tempos após 8 horas diárias de diálise, Lomu mal conseguia andar, segundo o próprio caia depois de dar 2 passos... Os tratamentos não estavam a resultar e o transplante renal era a única solução possível.
Em Julho de 2004 recebeu de um dador anónimo um rim e mesmo após o transplante os médicos continuavam a ter muitas dúvidas sobre se poderia voltar a andar normalmente, quase que nem considerando a hipótese de voltar a jogar que era o sonho de Lomu. Com uma força mental impressionante, de etapa em etapa, lutando contra a possível rejeição do transplante Lomu receberia dos médicos no inicio de 2005 a notícia que poderia voltar a jogar! Não escondeu a alegria e declarou que tinha esperado ansiosamente durante esses longos e penosos meses pelo momento em que voltaria aos relvados. Esse momento deu-se a 4 de Junho de 2005 no mítico Twichenham em Inglaterra, o mais famoso estádio mundial de Rugby. Lomu alinhou num 15 misto de craques internacionais no jogo de despedida do capitão inglês Martin Johnson. Depois disso voltou a jogar em vários clubes na Nova Zelândia e recentemente transferiu-se para o Cardiff Blues, uma equipa galesa. Aos 32 anos por certo será difícil senão mesmo impossível voltar aos grandes momentos vividos de 1994 a 2003, mas só o facto de ter voltado aos relvados é sintomático da fibra que são feitos os grandes campeões e Jonah Lomu é um deles! Um dos meus ídolos de juventude e que continuo a admirar, senti uma enorme alegria em vê-lo na bancada do estádio do Lyon em Setembro no jogo que opôs a sua Nova Zelândia aos nossos Lobos, o jogo mais importante de sempre do Rugby português!

Pelos all blacks, Lomu disputou 63 partidas convertendo 73 ensaios! É o jogador com mais ensaios marcados em fases finais de mundiais, 15! A Adidas, seu patrocinador de sempre dedicou-lhe um anúncio publicitário com o título Impossible is nothing
onde o próprio Lomu conta e desenha a sua história de superação e recuperação notáveis. "Tornar o sonho realidade está nas mãos de cada um."