
Foi com naturais expectativas sobre o desempenho da Costa do Marfim, que assisti ao seu jogo dos quartos-de-final da CAN defronte da Argélia. Afinal, estava em campo aquela que é considerada por muitos como a melhor selecção africana da actualidade e futura adversária (coveira para outros tantos...) de Portugal na fase final do Campeonato do Mundo.
Tirando alguns pormenores ofensivos de Gervinho (enorme talento) e Kalou, sem esquecer o fantástico golo de Keita, a exibição dos elefantes foi uma profunda decepção!
A grande figura, Drogba, teve uma actuação para esquecer, falhando uma ou duas oportunidades verdadeiramente incríveis. Os marfinenses foram uma equipa sobranceira, sem ritmo nem pernas, mal orientados e com uma fragilidade defensiva arrepiante. Em bom futebolês há que dizer que a defesa foi um autêntico passador, oferecendo de bandeja a qualificação à selecção argelina.
O mais caricato foi ver a Costa do Marfim chegar à vantagem (2-1) ao minuto 89 e muita gente - incluindo eu próprio - deve ter pensado que o assunto estava arrumado. A bola foi ao círculo central e os argelinos deram tudo na busca de um golo salvador, que se sabia altamente improvável em condições normais. Achei intrigante então a postura dos três ou quatro jogadores marfinenses mais adiantados, que não se dignificaram a exercer qualquer espécie de pressão sobre os jogadores adversários, permanecendo especados, impávidos e serenos, sobre a linha de meio-campo.
A Argélia acreditou no milagre e não só chegou à igualdade dois minutos para lá da hora, como abriu o prolongamento a marcar de novo, beneficiando de tremendas facilidades concedidas pela defensiva contrária, despachando uma selecção apelidada de favorita, mas pelos vistos, só no papel! Queiroz e Dunga podem dormir bem mais descansados.