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sexta-feira, março 18, 2011

Citações de Saramago (Parte IX)


"A política do Governo no âmbito social não tem nada de socialista, nem com aquilo que um ideal ou prática socialista permitiria dizer está feito ou está a fazer-se. No que respeita ao pensamento económico, o Governo é estritamente neoliberal e isso não me pode agradar porque vejo que a situação social se vai degradando."

DN, 15 de Julho de 2007

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Citações de Saramago (Parte VIII)


"A democracia ocupou o lugar de Deus. (...) O poder real não está nos palácios do governos: encontra-se, sim, nos conselhos de administração das multinacionais que decidem a nossa vida."

JN, 27 de Março de 2004



terça-feira, janeiro 18, 2011

Citações de Saramago (Parte VII)


"Comunismo é um estado de espírito. Um dia participei no programa do Bernard Pivot [na televisão francesa] que veio com essa: 'Como é que você ainda se considera comunista?'. Disse espontaneamente: 'Acontece que sou uma espécie de comunista hormonal. Da mesma maneira que a barba me cresce, há uma hormona que fez de mim isto, e não posso deixar de o ser. Pode dizer-me: depois disto que aconteceu, e isto e isto; de acordo, tudo isso aconteceu, e parece-me mal que tenha acontecido, e condeno quem o fez. Mas isso não me tira o direito, e o dever, de ser aquilo que sou'. Ele riu-se muito. Mais recentemente converti isto na declaração: o comunismo é um estado de espírito. Dois camaradas atacaram isto, em nome do materialismo dialéctico. Não entenderam."

Público, 7 de Novembro de 2008

sábado, dezembro 18, 2010

Citações de Saramago (Parte VI)


"Se se considera legítimo, não havendo provas, que se diga que Deus existe, também se deve considerar legítimo que se diga que não. (...) Para mim não existe Deus."

Público, 11 de Novembro de 2000

quinta-feira, novembro 18, 2010

Citações de Saramago (Parte V)


"A Língua, o instrumento fundamental da comunicação, é tratada como se fosse um esfregão. Os jovens saem da universidade a escrever mal e, quem escreve mal, não consegue pôr por escrito uma ideia."

Visão, 26 de Outubro de 2010

segunda-feira, outubro 18, 2010

Citações de Saramago (Parte IV)


"Provavelmente sou um homem bastante religioso. Bom, para se ser ateu como eu sou, deve ser preciso um alto grau de religiosidade."

Ler, 1 de Outubro de 1991

sábado, setembro 18, 2010

Citações de Saramago (parte III)


"Algumas pessoas da classe média, que há poucos anos eram solidárias, ajudavam os outros em situação difícil, um pouco por todo o mundo, encontram-se agora numa situação em que têm que ser ajudadas. Alguém tem a culpa disto. Os responsáveis não estão escondidos, andam aí com as suas limusinas, receberam compensações astronómicas depois de terem levado as empresas à falência."

Jornal de Letras, 5 de Novembro de 2008

quarta-feira, agosto 18, 2010

Citações de Saramago (parte II)


"Que na Bíblia há violência, crueldade, incesto e carnificinas? Isso não pode ser negado. Ainda que eu tenha chamado à Bíblia um manual de maus costumes, qualquer um o podia ter feito, porque é, efectivamente, o que é. Tudo quanto é negativo no comportamento humano está ali escrito."

DN, 25 de Outubro de 2009

domingo, julho 18, 2010

Citações de Saramago (parte I)


"Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos."

Cadernos de Lanzarote - Diário III, 1998

domingo, junho 20, 2010

O cão das lágrimas


Gostaria de ser recordado como o escritor que criou a personagem do cão das lágrimas, no Ensaio sobre a Cegueira. É um dos momentos mais belos que fiz até hoje enquanto escritor. Se no futuro puder ser recordado como "aquele tipo que fez aquela coisa do cão que bebeu as lágrimas da mulher", ficarei contente.

Se alguém procurar naquilo que eu tenho escrito uma certa mensagem, atrevo-me pela primeira vez a dizer que essa mensagem está aí. A compaixão dessa mulher que tenta salvar o grupo em que está o seu marido é equivalente à compaixão daquele cão que se aproxima de um ser humano em desespero e que, não podendo fazer mais nada, lhe bebe as lágrimas.

José Saramago, 15/06/2008

sexta-feira, junho 18, 2010

José Saramago (1922-2010)

José Saramago foi um génio. Um génio da literatura. E os génios nunca morrem. A sua obra e legado irão permanecer imortais ao longo dos tempos para desgosto dos medíocres retrógrados, banais conservadores e falsos beatos que sempre viram no "ateu militante" e no "comunista inveterado" o seu ódio de estimação.

A melhor homenagem que o povo português pode fazer a Saramago é ler a sua obra. Não apenas ler por ler, mas sim ler na verdadeira acepção da palavra, compreender e analisar o seu pensamento, aguçando desta forma o espírito crítico de uma sociedade que definha lentamente rumo ao abismo.

domingo, outubro 25, 2009

Asfixia católica


Durante a apresentação do seu novo livro, Caim, José Saramago afirmou que "a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana". Bastou esta simples frase, retirada de um determinado contexto relacionado com o livro e a sua temática bíblica, para a Igreja Católica e a Direita reaccionária reacenderem velhos ódios de estimação para com o Prémio Nobel da Literatura de 1998.

A Igreja Católica sempre combateu a liberdade de expressão religiosa que Saramago usa na sua escrita. Em 1991 o Evangelho segundo Jesus Cristo foi censurado de forma ignóbil pela secretaria de Estado da Cultura com o apoio tácito da Igreja Católica e dos seus fiéis lacaios.

O curioso da polémica em torno de Caim foi que desta vez as críticas começaram a surgir após as declarações proferidas no Saramago na apresentação do livro e não na sequência da leitura da obra propriamente dita. Algo que se pode classificar como banal para a Igreja Católica ou não estivéssemos na presença de um comunista inveterado, um ateu militante, que para além destes " terríveis pecados" cometeu o "sacrilégio" de não possuir formação académica num país repleto de "doutores e engenheiros"...


Passemos então em síntese as principais afirmações de Saramago sobre a Bíblia:

"A Bíblia passou mil anos, dezenas de gerações, a ser escrita, mas sempre sob a dominante de um Deus cruel, invejoso e insuportável. É uma loucura!"

"O Corão, que foi escrito só em 30 anos, é a mesma coisa. Imaginar que o Corão e a Bíblia são de inspiração divina? Francamente! Como? Que canal de comunicação tinham Maomé ou os redactores da Bíblia com Deus, que lhes dizia ao ouvido o que deviam escrever? É absurdo. Nós somos manipulados e enganados desde que nascemos!"

"As guerras de religião estão na História, sabemos a tragédia que foram”. E considerou que as Cruzadas são um crime do Cristianismo, porque morreram milhares e milhares de pessoas, culpados e inocentes, ao abrigo da palavra de ordem "Deus o quer", tal como acontece hoje com a Jihad (Guerra Santa). Saramago lamenta que todo esse “horror” tenha feito em nome de “um Deus que não existe, nunca ninguém o viu”.

"O teólogo Hans Kung disse sobre isto uma frase que considero definitiva, que as religiões nunca serviram para aproximar os seres humanos uns dos outros. Só isto basta para acabar com isso de Deus".

"No Catolicismo os pecados são castigados com o inferno eterno. Isto é completamente idiota!”.

"Nós, os humanos somos muito mais misericordiosos. Quando alguém comete um delito vai cinco, dez ou quinze anos para a prisão e depois é reintegrado na sociedade, se quer".

"Mas há coisas muito mais idiotas, por exemplo: antes, na criação do Universo, Deus não fez nada. Depois, decidiu criar o Universo, não se sabe porquê, nem para quê. Fê-lo em seis dias, apenas seis dias. Descansou ao sétimo. Até hoje! Nunca mais fez nada! Isto tem algum sentido?"

"Deus só existe na nossa cabeça, é o único lugar em que nós podemos confrontar-nos com a ideia de Deus. É isso que tenho feito, na parte que me toca".


Posto isto só me resta concluir que estamos perante um caso de profundo desrespeito à liberdade crítica, criativa e de análise religiosa. Num país profundamente católico não se perdoa o facto de Saramago ser ateu, nem a sua tenacidade em analisar e discutir um assunto que ainda é tabu numa sociedade tão retrógrada e conservadora como a portuguesa.
Ouvimos falar tanto em asfixia democrática na última campanha eleitoral, mas convém realçar a forte asfixia católica que ainda vigora no país. Felizmente já não existe Inquisição, senão Saramago já teria ardido na fogueira há muito tempo...