quinta-feira, janeiro 31, 2013

Expressões que me provocam engulhos (I)

«Cambalhota no marcador»

É frequente durante uma partida de futebol quando uma equipa se encontra em desvantagem e, posteriormente, passa para a frente do resultado surgir esta tirada por parte dos pseudo-comentadores. Será que os tipos pensam que estão a comentar Ginástica?

sexta-feira, outubro 12, 2012

A primeira vez

Nunca tinha atravessado a ponte de Vila Franca de Xira a pé. Ontem, foi a minha primeira vez, integrado na Marcha Contra o Desemprego organizada pela CGTP que arrancou de Braga e de Faro no passado dia 5 de Outubro e chega amanhã a Lisboa. A iniciativa da Intersindical é simbólica tendo o objectivo de denunciar o maior flagelo social da actualidade - o desemprego.

domingo, outubro 07, 2012

Aberração

Ontem estive presente num casamento celebrado na igreja da minha terra natal. A cerimónia decorria normalmente até que algures durante a homilia o padre sai-se com uma tirada do género: «o matrimónio é sagrado e apenas deve ser consumado entre um homem e uma mulher. Se for um homem com outro homem ou uma mulher com outra mulher é uma aberração». O burburinho e a indignação entre muitos dos presentes na pequena capela foi imediato. Pessoalmente fiquei estarrecido e o primeiro impulso que me veio à mente foi o de retaliar furiosa e ruidosamente. No mesmo segundo não consegui pensar em nada mais aberrante do que os inúmeros casos comprovados de pedofilia com que muitos membros da igreja católica têm vindo a ser confrontados e dos quais têm saído impunes. Mais tarde lembrei-me também do celibato que é imposto aos membros do clero, dogma contra a natureza do próprio ser humano, e que tenderá a ser potenciador de tais comportamentos inqualificáveis. Valeu a amizade e o respeito que tenho pelos pais da noiva para não estragar a cerimónia mais do que já estava. Por vezes, o silêncio é a melhor arma contra o preconceito.

domingo, abril 22, 2012

Frente de Esperança

Jean-Luc Mélenchon, candidato da 'Front de Gauche' às presidenciais francesas, usa frequentemente o cravo vermelho na lapela em homenagem ao 'nosso' 25 de Abril. Qualquer que venha a ser o resultado que hoje obtiver, será sempre considerado estrondoso pela dinâmica de massas que foi a sua extraordinária campanha e revelador que é possível a construção de uma alternativa unitária republicana e socialista ao neoliberalismo que tem destruído a Europa.

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

domingo, dezembro 04, 2011

O revolucionário do futebol

Sócrates (1954 - 2011)
Médico com nome de filósofo. Craque da bola, capitão e uma das principais figuras de uma das melhores equipas de futebol jamais vista, a do Brasil no Mundial de 1982. Raro exemplo de futebolista politizado com posições revolucionárias, levou a Democracia ao seu clube, o Corinthians, antes mesmo que esta chegasse ao seu país. Uma grande referência que desaparece demasiado cedo. Até sempre, Dr. Sócrates.

A Democracia Corinthiana 

quinta-feira, novembro 24, 2011

Contas à Guterres

O inefável patrão da CIP, António Saraiva, quantificou ontem à noite na RTP os custos da Greve Geral ao país nuns estratosféricos 670 milhões de euros (sensivelmente o mesmo valor que se irão pagar só de comissões - fora os juros - aos agiotas da Troika). 
Depois de avançar com uns ridículos 3,6 % de adesão à paralisação na Função Pública, o Governo aumentou a parada para uns espectaculares 10,5 %. 
Ora, se o valor do PIB português em 2010 foi de 167,5 mil milhões de euros só posso concluir que estamos perante umas belas contas à Guterres.

segunda-feira, novembro 21, 2011

Ilusão desmontada

Resultados Finais das Eleições Legislativas em Espanha (El País)

Os media dominantes rejubilam: "Espanha vira à Direita", "Estrondosa maioria absoluta do PP" e "A Esquerda sofre a maior derrota de sempre" são algumas das tiradas utilizadas para iludir os menos informados. Vamos lá então desmontar as frases armadilhadas.

A Direita continua a governar em Espanha. Não existe qualquer mudança de fundo na linha de orientação que será seguida pelo novo executivo. Mais subserviência para com os mercados, mais austeridade e desemprego, mais conservadorismo e mais neoliberalismo. Apenas isso. Até os todo-poderosos mercados se fartarem do medíocre Rajoy e imporem um tecnocrata qualquer, como já fizeram na Grécia e em Itália. E a receita para o desastre continuará.

Tivesse Espanha um sistema eleitoral realmente proporcional e nunca o PP alcançaria maioria absoluta com cerca de 45 % dos votos. O incrível número de 52 círculos eleitorais beneficia largamente os dois partidos da alternância. A utilização do patusco método d'Hondt agrava ainda mais a disparidade existente entre o número de votos e o número de mandatos alcançados. Exemplo gritante: o PSOE e a IU. Com cerca de 1/4 dos votos relativamente aos socialistas, a coligação entre comunistas e várias forças progressistas consegue apenas 1/10 dos deputados.

Para além da vertiginosa subida da Izquierda Unida - passou de 2 para 11 mandatos - a esquerda independentista basca (AMAIUR), não obstante a feroz perseguição imposta pelo imperialismo castelhano, passou a ser a maior força política no País Basco e em Navarra, alcançando 7 deputados. Sem esquecer a esquerda republicana catalã (ESQUERRA), que mantém os 3 deputados no Congresso.

Pode-se concluir assim que os espanhóis saíram do caldeirão, mas caíram na fogueira. No entanto, o decréscimo acentuado da bipolarização (passou de 83 para 73 %) e o avanço significativo alcançado pela Esquerda são sinónimos de esperança e confiança para o futuro.

quarta-feira, novembro 16, 2011

O país está entregue aos bichos

Sou ouvinte assíduo da Antena 1 e da Antena 3 desde há pelo menos uma década quando cortei definitivamente com a tralha descartável vinda das emissoras afectas à Igreja Católica e à Media Capital. Música de consumo rápido e obsoleto, informação enviesada e distorcida, publicidade às carradas. Eis a definição de lixo radiofónico que suponho perpetuar-se nestas estações com a conivência do público mais distraído e iludido com o rótulo modernista e glamouroso que lhes é impingido. 

Escuto a Antena 1 e a Antena 3 regularmente porque lhes reconheço muito mérito na aplicação da definição de serviço público. Informação de qualidade e ampla divulgação da música portuguesa são duas das principais características das estações em questão. Por norma vario entre elas conforme a altura do dia: ao início da manhã e à noite, Antena 1; meio da manhã e tarde, Antena 3. Posto isto, habituei-me a ouvir Rui Estêvão na Antena 3 das 13h às 16h. Excelente programa pelo sinal. A mistura perfeita entre música moderna portuguesa, rock alternativo e tiradas quase sempre certeiras por parte do locutor, reveladoras de enorme sentido de humor e cultura da sua parte. 

Não estranhei por aí além a sua ausência da emissão nos últimos dias. Provavelmente estaria de férias, pensei. Seria o mais natural. Infelizmente, estava enganado. Soube há pouco desta petição da qual Rui Estêvão é o primeiro subscritor:


Não é preciso ser muito inteligente para concluir que a apresentação desta petição tenha originado o afastamento de Rui Estêvão da Antena 3. Desta vez foi Peixeiro, perdão Pacheco Pereira, também conhecido como a "loira do regime", o agente provocador, servindo-se do tempo de antena que lhe é dado pela estação do Balsemão para verborrear a seu belo prazer. Isto é, nem mais nem menos, do que o velho truque realizado em muitas das empresas outrora públicas: inicialmente, arruina-se, desprestigia-se, afunda-se; a seguir, hipocritamente, diz-se que, atendendo à situação alegadamente insustentável a que se chegou, não há outra solução se não privatizar. Já assisti muita vez a este filme. Rui Estêvão foi apenas a primeira vítima da caça às bruxas, leia-se funcionários da RTP/RDP/Lusa que ousarem protestar contra a bicharada que tomou de assalto os destinos do país.

terça-feira, novembro 15, 2011

A carta que nunca te escrevi

Deve estar a fazer 10 anos. Estava um dia frio e triste, tipicamente de Outono. Nada melhor para o alegrar do que oferecer-te um ramo de rosas vermelhas. 24. Nunca soube porque escolhi esse número, acho que foi o primeiro em que pensei. Pareceu-me bem. Redondo. Como eu era ingénuo e apaixonado. Pensei que iríamos viver felizes para sempre depois desse momento especial. Foi-o de facto, pelo menos por breves instantes. E certamente inesquecível.
Cheguei primeiro ao nosso sítio. O nosso banco, no nosso jardim. Tremia ligeiramente e não era apenas do frio. Estava nervoso. Mal podia esperar para que chegasses. E passado pouco tempo lá surgiste ao fundo. Não disfarcei o sobressalto, mas tentei esconder o ramo, colocado estrategicamente a meu lado para poder sentir a tua reacção o mais próximo possível quando te deparasses com a surpresa. A tal surpresa que anunciei desajeitadamente por mensagem e te fazia apressar o passo. Apesar da ansiedade que te recortava o rosto, trazias igualmente o sorriso pelo qual me enamorei. Trémulo, mas estava lá. E quando a surpresa deixou de o ser, a tua pálida face abriu-se num enorme e belo sorriso que me fez disparar a pulsação vertiginosamente. Por momentos julguei ter conseguido, mas a felicidade foi momentânea. O choro compulsivo que atravessou a perfeição revelou-me de imediato que seria impossível. Nunca acreditei no destino, mas nesse momento tive a terrível sensação que nada mais por nós havia a fazer. Estava escrito algures que os nossos caminhos se cruzavam apenas por algum tempo. Mais tarde ou mais cedo uma qualquer encruzilhada confirmaria o inevitável. Apesar disso não desisti. Lutei muito e durante muito tempo contra isso. Recusava-me terminantemente a aceitar. O silêncio corrói, sufoca e sinto que é altura de o desmascarar.
Tentei dar-te os parabéns pelo noivado. Não consegui. Tentei desejar-te as maiores felicidades pelo casamento, mas ainda foi pior a emenda que o soneto. Algo mais forte o impedia. Talvez a teimosia. A simples ideia de te perder para sempre era demasiado aterradora. E continuei na zona de conforto à qual chamo silêncio. Parece um paradoxo classificar o silêncio como corrosivo, sufocante e confortável ao mesmo tempo. No entanto, é apenas e somente caracterizado por possuir várias faces, distintas ou não entre si. Tal e qual como o teu sorriso extasiante ao qual se adicionaram lágrimas. Lágrimas de impotência, presumo. Continuo a acreditar e a sentir que assim seriam. E só quando percebi o funcionamento do silêncio concluí que já te tinha perdido há muito tempo. 10 anos para ser exacto. Naquela tarde fria de Outono, naquele banco de jardim.