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21/01/11 - Comício de Francisco Lopes no Auditório da Universidade do Minho em Guimarães |
Infelizmente, confirmou-se em parte aquilo que eu havia previsto no passado mês de Agosto. Francisco Lopes conseguiu apenas segurar o tradicional eleitorado comunista, não alargando as bases sociais de apoio num momento particularmente difícil e de grande descontentamento entre os trabalhadores e desempregados do país. Continuo a pensar que uma candidatura mais abrangente e unitária anti-PEC protagonizada por Carvalho da Silva, sem o PS a atrapalhar e com o apoio do BE, teria todas as condições para alcançar um resultado histórico. Não arrisco afirmar que passaria à 2ª volta, mas daria com toda a certeza garantias de uma maior mobilização, reforçando a luta de massas para as novas batalhas que se avizinham. No entanto, quero destacar a excelente campanha de Francisco Lopes. Empenhado, frontal e coerente nas posições assumidas, foi a única candidatura que se assumiu efectivamente contra a política de direita que nos levou a este abismo, apresentando-se como a única alternativa de ruptura e mudança. 7,1 % e cerca de 300 mil votos são um resultado escasso para uma campanha entusiasmante e bastante participativa. Lopes terá pago o preço de ser um ilustre desconhecido até às vésperas da campanha, não capitalizando o descontentamento de outros sectores da Esquerda que não se reviam na candidatura de Alegre. Destaco ainda que, em tempos de luta e de resistência, o povo sabe que pode contar sempre com o PCP, mas continua a não retribuir eleitoralmente. Temos que continuar a viver com essa ingratidão que anda de mãos dadas com o feroz preconceito anti-comunista, esse enorme pasquim de mentiras e falsidades. A dedicação e a luta do PCP à causa dos trabalhadores e desempregados é imensa, coerente e constante, mas o povo – cada vez mais analfabetizado politicamente, daí o aumento substancial da abstenção e dos votos em candidatos fora do sistema – continua a preferir engolir a cassete anti-comunista servida diariamente em todo o lado, seja ela na televisão, na rádio ou nos jornais.
Louçã e o BE saem como os grandes derrotados destas Presidenciais. O precipitado apoio a Manuel Alegre pode ter sido o canto do cisne duma força política que chega agora a uma encruzilhada. Mantém o espírito revolucionário dos seus militantes de base – trotskistas, maoistas e marxistas - lançando pontes de entendimento e convergência com o PCP ou entra num processo de social-democratização acabando naturalmente por ser engolido pelo PS.
Tinha grandes esperanças na candidatura de Fernando Nobre. É certo que obteve um óptimo resultado, mas foi na minha óptica uma enorme decepção. Discurso populista, demagogo, anti-partidos, sem qualquer ponta de lógica ou coerência. A galinha com uma migalha de pão no bico e o tiro que o impediria de chegar a Belém são das frases mais ridículas que já ouvi em Política. A proposta de redução do número de deputados para 100 é um convite irresestível à bi-polaziração e à falta de representatividade das regiões do Interior. Grande humanista e com uma obra notável com a AMI, Nobre é um tremendo embuste enquanto político e o facto de ter sido invisivelmente apoiado pelo vingativo e rancoroso Mário Soares é de lamentar profundamente.
Factura muito alta pagou Alegre ao ser apoiado pelo PS e BE, sem esquecer o desconcertante apoio do MRPP. Nunca se conseguiu libertar, parecendo excessivamente preso entre duas forças antagónicas. Quando dava ares de resvalar para a Esquerda, perdia o Centro e vice-versa. O resultado dificilmente poderia ser melhor e Sócrates viu-se livre do seu maior adversário dentro da ala esquerda do PS, mas tem poucas razões para se sentir Seguro. António José anda por aí.