Divagações, considerações, devaneios e pensamentos sobre vivências, temas, experiências, tudo aquilo que me desperta interesse.
sexta-feira, outubro 30, 2009
domingo, outubro 25, 2009
Asfixia católica

O curioso da polémica em torno de Caim foi que desta vez as críticas começaram a surgir após as declarações proferidas no Saramago na apresentação do livro e não na sequência da leitura da obra propriamente dita. Algo que se pode classificar como banal para a Igreja Católica ou não estivéssemos na presença de um comunista inveterado, um ateu militante, que para além destes " terríveis pecados" cometeu o "sacrilégio" de não possuir formação académica num país repleto de "doutores e engenheiros"...
"O Corão, que foi escrito só em 30 anos, é a mesma coisa. Imaginar que o Corão e a Bíblia são de inspiração divina? Francamente! Como? Que canal de comunicação tinham Maomé ou os redactores da Bíblia com Deus, que lhes dizia ao ouvido o que deviam escrever? É absurdo. Nós somos manipulados e enganados desde que nascemos!"
"As guerras de religião estão na História, sabemos a tragédia que foram”. E considerou que as Cruzadas são um crime do Cristianismo, porque morreram milhares e milhares de pessoas, culpados e inocentes, ao abrigo da palavra de ordem "Deus o quer", tal como acontece hoje com a Jihad (Guerra Santa). Saramago lamenta que todo esse “horror” tenha feito em nome de “um Deus que não existe, nunca ninguém o viu”.
"O teólogo Hans Kung disse sobre isto uma frase que considero definitiva, que as religiões nunca serviram para aproximar os seres humanos uns dos outros. Só isto basta para acabar com isso de Deus".
"No Catolicismo os pecados são castigados com o inferno eterno. Isto é completamente idiota!”.
"Nós, os humanos somos muito mais misericordiosos. Quando alguém comete um delito vai cinco, dez ou quinze anos para a prisão e depois é reintegrado na sociedade, se quer".
"Mas há coisas muito mais idiotas, por exemplo: antes, na criação do Universo, Deus não fez nada. Depois, decidiu criar o Universo, não se sabe porquê, nem para quê. Fê-lo em seis dias, apenas seis dias. Descansou ao sétimo. Até hoje! Nunca mais fez nada! Isto tem algum sentido?"
"Deus só existe na nossa cabeça, é o único lugar em que nós podemos confrontar-nos com a ideia de Deus. É isso que tenho feito, na parte que me toca".
Posto isto só me resta concluir que estamos perante um caso de profundo desrespeito à liberdade crítica, criativa e de análise religiosa. Num país profundamente católico não se perdoa o facto de Saramago ser ateu, nem a sua tenacidade em analisar e discutir um assunto que ainda é tabu numa sociedade tão retrógrada e conservadora como a portuguesa.
Ouvimos falar tanto em asfixia democrática na última campanha eleitoral, mas convém realçar a forte asfixia católica que ainda vigora no país. Felizmente já não existe Inquisição, senão Saramago já teria ardido na fogueira há muito tempo...
segunda-feira, outubro 19, 2009
Vivam os 80's (Parte III)
Formados no início da década de 70, os Roxy Music foram uma das principais influências para o movimento punk e em particular para as bandas new wave na década seguinte. O som da banda era extremamente característico, assente no experimentalismo e virtuosismo instrumental, no lirismo perpetuado nas letras e na produção visual exuberante, tudo atributos que rotulavam na perfeição o galã e vocalista Bryan Ferry e o mestre dos sintetizadores Brian Eno.
Em 1982 lançaram o último álbum de originais, Avalon, um trabalho mais suave e intimista que os anteriores e que teve como primeiro avanço este fantástico More Than This.
domingo, outubro 11, 2009
Mais do mesmo...
O povo português é hoje chamado às urnas para escolher os seus representantes em 308 municípios e 4260 freguesias.
Não são esperadas grandes mudanças no actual panorama político autárquico. A relação de uma parte significativa do poder local com as populações é ainda bastante baseada nos favores, no caciquismo, no compadrio, nos interesses, no amordaçar da crítica, tornando muitas das eleições uma espécie de jogo com dados viciados.
É assim previsível que muitos concelhos continuem a ser liderados por autarcas corruptos, na senda dos óptimos exemplos transmitidos pelos Isaltinos, Fátimas, Valentins e Ferreiras Torres deste país. O que torna a situação quase hilariante é que é os autarcas são eleitos pelo povo, não são eles que açambarcam o poder, logo chego à conclusão que muitas pessoas preferem ter indivíduos de conduta duvidosa nos destinos do seu município de modo a poderem pactuar com os seus próprios interesses, sejam eles um tacho na câmara, uma licença de construção em terreno não edificável ou outro favorecimento qualquer.
Para além disso um presidente de câmara que apresente como obra umas quantas rotundas, inaugure uma quantidade considerável de obras terminadas à pressa nos últimos meses de mandato e mantenha uma relação estreita com os empreiteiros da zona tem a reeleição quase garantida o que diz tudo sobre as políticas seguidas pela generalidade dos autarcas portugueses.
Daqui a quatro anos, 188 dos actuais presidentes de câmara não se poderão recandidatar devido à lei da limitação de mandatos. Seria uma excelente altura para começar a mudança efectiva na dinâmica e nas políticas implementadas pelo poder local. Falo nomeadamente em verdadeiras políticas de sustentabilidade económica e ambiental, políticas condignas de habitação e realojamento, políticas de ordenamento do território desprovidas de interesses particulares, políticas de emprego que sejam muito mais do que a construção de parques industriais rapidamente transformados em elefantes brancos e o mais importante de tudo que é a revogação da lei de financiamento que favorece a construção desenfreada e a corrupção a rodos!
Infelizmente, durante o próximo mandato deverão ser preparados dignos sucessores para os actuais caciques e é difícil acreditar que poderá então ser alterada alguma coisa de significativo...
Por vezes, mais valia votar numa personagem estilo a que Herman José criou em 1997 para o seu fantástico Herman Enciclopédia:
sábado, outubro 10, 2009
terça-feira, outubro 06, 2009
Voz Amália de Nós

Amália, dona e senhora de uma voz única e incomparável, sublime e melancólica, símbolo máximo do Fado, unanimemente aclamada como a voz de Portugal e uma das mais notáveis cantoras mundiais do século XX.
Idolatrada em Portugal, não tardou a galgar fronteiras, vendo o seu talento ser amplamente reconhecido em lugares tão díspares como o Rio de Janeiro, Roma, Nova Iorque, Moscovo, Tóquio, México, Londres, Madrid ou Paris (onde actuou várias vezes no mítico Olympia).
Deu um novo impulso ao Fado ao cantar poemas de autores portugueses consagrados, depois de musicados, como David Mourão Ferreira, Pedro Homem de Mello, Ary dos Santos, Manuel Alegre e Alexandre O'Neill.
Foi, juntamente com Eusébio, a embaixadora de Portugal além-fronteiras, numa altura em que o regime ditatorial passava por enorme descrédito e isolamento internacionais devido à infame guerra promovida nas colónias africanas. Por esse motivo foi injustamente conotada com o Estado Novo, que propagava a cultura dos três F's (Fado, Fátima e Futebol). Quem fez tal insinuação decerto que se esquece do Fado Peniche, proibido pela censura por ser um hino aos presos políticos encerrados no Forte dessa cidade ou do Povo que lavas no rio, uma comovente homenagem ao povo português, mergulhado na mais profunda pobreza e miséria. Recentemente soube-se também que Amália ajudara financeiramente o Partido Comunista Português, quando este era clandestino e lutava contra o fascismo.
Passam hoje exactamente dez anos após a morte de Amália, o dia em que Portugal se une para chorar a sua alma, a sua voz que era só dela e, no entanto, de todos nós.
Barco Negro é muito provavelmente a minha música favorita de Amália. Poema de David Mourão Ferreira sobre a mulher dum pescador que morreu no mar. Todas as noites ela desce à praia e fala-lhe como se ele estivesse vivo, fala-lhe coisas de amor.
Em 1955, o filme francês Os Amantes do Tejo é filmado em Lisboa, surgindo Amália a interpretar este fado de forma esplendorosa.
domingo, outubro 04, 2009
Submarinos dos 30 milhões pró bolso!
sábado, outubro 03, 2009
A vitória da imposição
sexta-feira, outubro 02, 2009
Parabéns, Rio!
