quinta-feira, junho 12, 2008

Croácia surpreende favorita Alemanha!

A Croácia começou o Euro 2008 com uma vitória algo insossa sobre a Áustria já que a exibição deixou muito a desejar. Pelo contrário, a Alemanha exibiu-se a grande nível frente à Polónia mostrando um futebol vistoso, dinâmico, jogado a toda a largura do terreno contando com um desdobramento colectivo de grande plenitude. Estavam assim lançados os dados para o grande encontro do Grupo B. Poucos esperariam uma Croácia transfigurada para muito melhor e que conseguiu vencer de forma categórica a Alemanha por 2-1 e assegurar o primeiro lugar do grupo. Bilic optou pelo reforço do meio campo com a inclusão do jovem talento Rakitic em detrimento do atacante Petric e a opção revelar-se-ia acertada já que a intermediária croata realizou uma bela partida, em especial Modric. Low manteve o 4*4*2 com Podolski solto na esquerda e seria novamente o jovem avançado a fazer o golo dos germânicos.
No outro jogo do grupo defrontaram-se aquelas que são muito provavelmente as duas equipas mais fracas deste Euro. A Áustria já era esperado, apesar disso, tem-me surpreendido pela positiva porque estava à espera de muito menor qualidade. Tem-se mostrado uma equipa aguerrida, lutadora e que não desiste de lutar por um resultado positivo. Contra a Croácia não alcançou o empate por manifesta falta de sorte e agora contra a Polónia novamente algum azar e lacunas graves na finalização pareciam indicar nova derrota tangencial. Mas, o defesa Wasilewski resolveu dar uma ajuda aos austríacos e cometeu um penalty totalmente escusado nos descontos, aproveitando Vastic para colocar justiça no marcador.
Sendo assim Polónia e Áustria continuam na corrida pelo 2º lugar do Grupo B, mas alguém acredita que deixará de ser a Alemanha a qualificar-se?
No pântano de Basileia, a Turquia conseguiu uma reviravolta muito sofrida sobre a Suiça consumada nos instantes finais e mantém intactas as aspirações de prosseguir em prova. Quanto aos helvéticos estão já arrumados e o jogo contra Portugal será apenas para cumprir calendário. Também no domingo o jogo entre turcos e checos pode-se considerar como sendo uma espécie de 1/8 de final já que as duas equipas estão empatadas em número de pontos e golos, logo se no final do tempo regulamentar prevalecer uma igualdade será marcada uma série de grandes penalidades para decidir o 2º classificado do Grupo A e que irá defrontar a Croácia na fase seguinte.

quarta-feira, junho 11, 2008

A mestria de Deco e a classe de C.Ronaldo

Portugal venceu hoje a Rep.Checa por 3-1 garantindo o apuramento para os 1/4 de final e o primeiro lugar no Grupo A.
Pelo desnível verificado no resultado final pode-se pensar que foi uma vitória tranquila, mas atendendo ao que se passou durante os 90' foi um triunfo muito suado e difícil perante um adversário extremamente bem organizado em termos tácticos e que criou enormes dificuldades ao meio campo luso, especialmente no primeiro tempo.
O golo madrugador de Deco fazia antever um rápido controle da partida por parte de Portugal, mas o golo do empate obtido pouco depois por Sionko não permitiu que tal acontecesse. Bruckner apresentou dois blocos defensivos muito sólidos e compactos que consistiam numa linha de 4 defesas e Galasek como uma espécie de líbero dos 4 homens de meio campo cortando quase todas as linhas de passe no corredor central. Muito pressionantes e disciplinados tacticamente defendiam bem próximo da grande área e num espaço reduzido de terreno vendo-se o meio campo português sem espaços e a tentar afunilar o jogo pela faixa central não procurando Simão e Ronaldo nas alas. Petit e Moutinho estavam muitos furos abaixo da partida de sábado e só Deco conseguiu manter um bom nível exibicional durante o primeiro período.
Portugal surgiu muito melhor no segundo tempo, as trocas de bola rápidas a meio campo começavam a surtir efeito, o maestro Deco com pés de veludo começava a dar um autêntico recital de futebol e foi sem surpresas que aos 63' descobriu Cristiano Ronaldo a romper à entrada da área e endossou-lhe a bola de maneira magistral para o número 7 estoirar de primeira rasteiro sem hipóteses para Cech!
Os checos tentaram reagir, entrou o gigante Koller, Scolari respondeu de imediato colocando Meira. A Rep. Checa tentou atacar na busca do empate destacando-se o extremo direito Sionko que meteu a cabeça em água a Paulo Ferreira, de longe o jogador português mais frágil. Cada bola aérea que passava perto da baliza de Ricardo era um verdadeiro sufoco e os checos apostavam forte nesse aspecto, sobretudo nos lances de bola parada, aproveitando o facto de serem mais fortes fisicamente e bem mais altos. Apesar dessa vantagem checa houve falhas gritantes de marcação em vários lances, o golo checo surge numa dessas falhas e outros dois lances de muito perigo no segundo tempo, um cabeceamento de Sionko para grande defesa de Ricardo e um desvio de Ujfalusi ao primeiro poste a que Baros chegaria atrasado no segundo poste. As bolas paradas defensivas são sem sombra de dúvida a grande pecha da equipa portuguesa e já não é de agora, basta lembrar a maneira como perdemos o Euro 2004...
Felizmente a equipa serenou nos minutos finais, conseguiu blocar a reacção checa e já em descontos Deco, sempre ele, apontou rápido um livre isolando Cristiano Ronaldo, que com muita calma e classe ofereceu o golo da tranquilidade ao recém entrado Quaresma! Pouco depois o jogo terminava e a qualificação estava quase garantida. Mais tarde, ao ser conhecida a vitória da Turquia sobre a Suiça, Portugal garantiu de imediato o primeiro lugar do grupo e o último jogo contra os já afastados suiços será apenas para cumprir calendário, boa chance para Scolari rodar o plantel e descansar alguns dos jogadores mais influentes.

segunda-feira, junho 09, 2008

'Azzurri' e Donadoni desastrosos

Estreia desastrosa da squadra azzurra no Euro 2008! Derrota expressiva por 3-0 que tem tanto de inesperada como de histórica já que há 30 anos que a Itália não perdia com a Holanda!
Para isso muito contribuíram as desastrosas opções de Donadoni a começar pelos dois centrais, Barzagli e Materazzi, que estiveram completamente perdidos em campo! O trio de centrocampistas do Milan também não esteve muito melhor e foi ver a classe de Sneijder e Van der Vaart e a voluntariedade de Kuyt jogar a seu belo prazer no meio campo italiano com transições velozes e efectivas que colocaram a nu todas as deficiências de marcação na defensiva transalpina em especial nos lances do 2º e 3º golo! Buffon ainda efectuou 2 ou 3 defesas de grande categoria, mas nada podia fazer nos lances dos golos laranja. A Itália pode-se queixar do primeiro golo holandês ter sido obtido em claro fora de jogo e de alguma falta de sorte nomeadamente na 2ª parte quando dispôs de 3 chances consecutivas de golo para marcar e reduzir para 2-1, a primeira pelo recém entrado Del Piero com um bom lance individual a proporcionar defesa atenta a Van der Sar, depois Toni na cara do guardião holandês falhou de forma incrível e um livre potente e colocado de Pirlo para a defesa da noite de Van der Sar. Não marcaram e num contra ataque mortífero a Holanda matou o jogo!
Donadoni tem muita ilações a retirar desta partida e terá que mexer em vários pontos chave da equipa e da própria estrutura se quiser vencer a Roménia na próxima partida. É verdade que Cannavaro fez muita falta, mas isso não explica a exibição desastrosa dos centrais Barzagli e Materazzi, qualquer um deles muito inferior a Chiellini que não saiu do banco de suplentes! Ambrosini e Gattuso são dois jogadores de marcação e que apenas funcionam como muletas de Pirlo, foi fácil de ver que os médios holandeses jogaram à vontade, logo esta opção saiu tremendamente furada! O que me faz confusão é ver no banco dois jovens que fizeram boas épocas na Roma, De Rossi e Aquilani, e a opção foi por dois trintões que realizaram temporadas medíocres no Milan... Di Natale tem qualidade embora eu pense que seja muito mais jogador de contra ataque e contra os defensivos e bem organizados romenos a classe e a boa forma de Del Piero serão com certeza muito mais úteis, aliás a Itália só começou a aproximar-se com perigo da baliza de Van der Sar quando Alex entrou já passava da hora de jogo.
Outra situação que me fez enorme confusão foi o facto de nem a perder por 3-0 Donadoni abdicou de nenhum dos três médios defensivos! Espero que ele perceba que com apenas 3 homens de características ofensivas dificilmente marcará um golo à Roménia...

sábado, junho 07, 2008

Vitória só peca por escassa!

Excelente exibição de Portugal no seu jogo de estreia no Euro 2008! Equipa sólida, compacta, boa circulação e posse de bola, domínio quase absoluto do jogo perante uma Turquia expectante que nem uma chance de golo teve. Portugal mostrou possuir um colectivo extremamente forte ao qual se podem augurar grandes feitos nesta competição.
Portugal pode-se queixar de algum azar já que enviou por 3(!!!) vezes a bola aos ferros da baliza turca, a primeira por intermédio de Cristiano Ronaldo na transformação de um livre directo bem ao seu estilo, remate potente salvo por um ligeiro desvio efectuado pelas pontas dos dedos do guardião Volkan, suficiente para a bola bater estrondosamente no poste. A segunda por Nuno Gomes num remate de primeira de trivela aproveitando um erro crasso de Zan que se deixou antecipar infantilmente por Simão, na sobra o capitão português atirou ao poste. Finalmente a terceira bola no ferro coube novamente a Nuno Gomes, desta vez a cabecear à barra após cruzamento de Cristiano Ronaldo! Portugal teve ainda um golo anulado na 1ª parte por fora de jogo de Pepe, nada a dizer da justiça da decisão.
Destaco nos golos a qualidade das assistências que foram mais de meio golo como se costuma dizer na gíria. No primeiro Nuno Gomes fez aquilo que tão bem costuma fazer que são as tabelinhas aproveitando o desequilíbrio provocado por Pepe na defensiva turca, o luso-brasileiro repleto de força irrompeu irresistivelmente pela área e fez o mais que merecido golo inaugural (primeira foto). A segunda assistência é um lance de génio de João Moutinho, a coroar uma excelente exibição do jovem médio. Jogada de contra ataque conduzida na esquerda por Cristiano Ronaldo, grande passe a rasgar a defensiva turca para Moutinho rodar esplendorosamente sobre Servet e oferecer de bandeja o golo a Raul Meireles que concluiu facilmente (foto de baixo).
Nota final para Cristiano Ronaldo, com o mundo de olhos postos no seu desempenho acho que não é justo dizer que não fez uma boa exibição como ouvi. Penso que Cristiano esteve muito bem, jogou para a equipa, não teve espaço para desequilibrar tal a tamanha marcação sofrida, em muitos lances tinha 2 ou 3 turcos em cima dele ou sofria falta mal recebia a bola ou partia para o drible. Conseguiu fazer uma arrancada bem ao seu estilo driblando 3 ou 4 adversários, pena o remate sair frouxo e ao lado... apontou um livre extremamente potente que por muito pouco não deu golo e que já descrevi no segundo parágrafo. Cristiano é um ser humano como todos nós e devido a esse simples facto tem limites, não lhe exijam o céu e as estrelas!

O jogo de abertura do Euro 2008 foi na sua globalidade fraco. A Rep.Checa é uma sombra da equipa que encantou a Europa há 4 anos atrás. O seu meio campo é musculado e forte fisicamente, mas não há ninguém que organize o jogo como tão bem faziam Nedved e Rosicky nem possuem um extremo do nível de Poborsky que desequilibrava nas faixas. Em suma, um futebol directo na procura do gigante Koller, também ele muito apagado. A Suiça jogou ligeiramente melhor, teve as melhores oportunidades e pode-se queixar de alguma falta de sorte nomeadamente num remate à barra de Vonlanthen já perto do fim após defesa fantástica de Cech, ele que foi o melhor jogador checo mostrando uma classe tremenda em 3 ou 4 grandes intervenções. O golo teve origem numa jogada de insistência dos checos, o jovem Sverkos apareceu na cara de Benaglio e desviou-lhe habilmente a bola para o poste mais distante (foto em cima à esquerda) fazendo o primeiro golo da competição e o único do encontro. Nota negativa para a lesão grave de Frey, a grande figura da selecção suiça, a terminar a 1ª parte num lance perfeitamente banal com Grygera.

Aí está o Euro 2008!

Finalmente, começa hoje o Euro 2008! Já não tinha grande paciência para aturar a cobertura de nível degradante que a comunicação social portuguesa, em especial as televisões, têm oferecido sobre a selecção nacional! Arrisco-me a dizer que só faltou passar imagens dos jogadores portugueses na casa de banho ou a dormirem tal a mediocridade dos conteúdos com que temos sido bombardeados nos últimos dias!...
O que interessa mesmo é o futebol jogado no relvado, tudo o resto é para esquecer felizmente! Venham então jogos de qualidade, com espectáculo, emoção e golos! Prognósticos não os arrisco quanto ao vencedor devido a um grande equilíbrio entre as selecções mais fortes, aposto sim nas equipas que vão passar à 2ª fase, ora aí vai:
Grupo A - Portugal e Rep.Checa
Grupo B - Alemanha e Croácia
Grupo C - Itália e França
Grupo D - Espanha e Rússia

Quanto à sondagem sobre qual será o vencedor do Euro 2008, não será difícil concluir que Portugal foi o mais votado com 12 votos (40%), não devendo ser alheio o facto do blog ser português... A seguir vem a Holanda com 6 (20%) e Itália com 4 (13%). Com 2 votos aparecem Alemanha e França e com apenas 1 surgem Espanha, Polónia, Rússia e Turquia. A todos os 30 participantes os meus sinceros agradecimentos pela participação.
Como comentário final à votação, não será caso para embandeirar em arco, mas podemos sonhar com o título, afinal o melhor jogador da competição é português e possuimos um lote de jogadores de muito bom nível, há então que maximizar esse potencial! FORÇA PORTUGAL!

sexta-feira, junho 06, 2008

Sócrates, o mentiroso encurralado

"Não me impressionam os números. O que me impressiona são os argumentos." Foi assim que o digníssimo primeiro-ministro José Sócrates reagiu quando confrontado com o maciço número de trabalhadores presentes na manifestação organizada pela CGTP ontem à tarde em Lisboa contra a revisão do Código de Trabalho. O número foi superior a 200 mil pessoas e qualquer político minimamente sério sabe que este valor tem um enorme peso em termos sociais e estratégicos.
Sócrates tem governado ao centro e à direita com ataques brutais aos mais básicos direitos dos trabalhadores acabando por ser normal todo este clima de contestação liderado pelo PCP através do seu braço sindical, a CGTP. Enquanto os comunistas batalham nas ruas, os bloquistas e a ala esquerda do PS encabeçada por Manuel Alegre organizaram um comício na terça-feira à noite contra as desigualdades e injustiças sociais e a corrupção vigentes em Portugal.
As últimas sondagens colocam o PCP e o BE somados com resultados superiores a 20% o que equivale a dizer que Sócrates perdeu o eleitorado de esquerda e tem pouco mais de 1 ano para os tentar recuperar, o problema é que a recém-eleita líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, irá certamente tentar recuperar os eleitores do centro, perdidos para os socialistas nas Legislativas de 2005. Como será assim o último ano de governação de Sócrates? Está encurralado, se tapar a cabeça destapa os pés, ou seja, se virar as suas políticas fortemente à esquerda recuperará algum eleitorado dessa área política, mas perderá certamente muito do apoio ao centro, permitindo a subida do PSD. Os próximos meses o dirão, eu arrisco dizer que Sócrates continuará na mesma linha neo-liberalista tão do agrado dos grupos grupos económicos e financeiros o que fará com que perca a maioria absoluta devido à subida dos partidos de esquerda. Tudo isto poderá originar um Governo de Bloco Central em 2009, afinal quem escutar atentamente Sócrates e Ferreira Leite verá certamente que as diferenças ideológicas e programáticas são mínimas...

Euro 2008: 'out-siders'

SUIÇA
Depois de uma boa prestação no Mundial 2006 é permitido a um dos países organizadores sonhar com a passagem à 2ª fase. Um dos pontos fortes da formação helvética é a consistência defensiva e como prova deste aspecto foi a sua passagem pelo mundial germânico onde não sofreu qualquer golo. A base e estrutura da equipa mantem-se, apresentam dois jovens centrocampistas muito interessantes, Inler e Gilson Fernandes e um defesa direito com potencial, Degen que acaba de assinar pelo Liverpool. Em termos ofensivos destacam-se o extremo direito Barnetta e o avançado Frei, recente recordista de golos pela selecção suiça, já leva mais de 30.

TURQUIA
Depois do brilhante 3º lugar no Mundial 2002 os turcos só agora voltam à fase final de uma grande competição depois de um apuramento sofrido e disputado até ao último minuto com a Noruega. É difícil prever o comportamento da Turquia nesta fase final, possuem alguns talentos individuais de grande categoria como o avançado Nihat, jogador rapidíssimo e excelente finalizador, o extremo direito Altintop ou o trinco de origem brasileira Mehmet Aurélio, todos eles autores de boas temporadas nos respectivos clubes. Tal como a Suiça deverá apresentar um futebol de contenção, actuando acima de tudo na expectativa e no contra ataque.

ÁUSTRIA
Aqui está aquela que é de longe a selecção mais fraca presente na competição. No ranking da FIFA de Maio ocupava a 101ª posição, 43ª entre as 53 selecções europeias... No ano passado correu uma petição na internet lançada por um grupo de adeptos para impedir a participação da sua equipa nacional na prova com receio de resultados desastrosos. Só mesmo o facto de ser um dos países organizadores explica a sua presença no lote dos 16 finalistas. O objectivo passa por evitar humilhações e se conseguirem um simples empate já será ouro sobre azul. O jogador mais talentoso é o médio ofensivo esquerdino Ivanschitz, jogador do Panathinaikos e de quem se espera alguns lampejos de qualidade...

CROÁCIA
Comandados pelo outrora irascível Bilic, os croatas apresentam-se com uma selecção renovada em relação ao Euro 2004, mantendo sempre o seu tradicional futebol técnico e apoiado, graças à qualidade de muitos dos seus executantes. A recente vitória obtida em pleno Wembley e que afastou a Inglaterra do Euro 2008 colocou as expectativas muito elevadas sobre a Croácia e eu também penso que têm tudo para fazer uma competição muito interessante. Com apenas 22 anos o médio completo Modric viu o seu passe adquirido pelo Tottenham por mas de 20 milhões de euros e é ele a grande figura da actual Croácia sem esquecer nomes como Kranjcar, Srna ou Olic. Grandes candidatos a passarem à 2ª fase.

POLÓNIA
Total incógnita, capaz do melhor e do pior como já se viu na fase de qualificação ao derrotar Portugal e perder com a Arménia, assim antevejo a estreia dos polacos em fases finais de Europeus, eles que têm dois terceiros lugares em Mundiais. Qualificaram-se de maneira mais fácil do que o esperado ao vencerem o grupo de Portugal e afastando Sérvia e Finlândia. Apresentam um futebol musculado e físico bem ao jeito do seu treinador, o holandês Beenhakker, já um veterano nestas andanças. A grande estrela da equipa é o extremo direito Smolarek, de nome próprio Euzebiusz em honra do lendário jogador português Eusébio. Smolarek é um extremo completo, forte fisicamente, veloz, dotado tecnicamente e bom finalizador como provam os 9 golos obtidos na qualificação.

ROMÉNIA
Depois do fim da extraordinária geração de Hagi e Popescu em 2000 os romenos passaram por uma autêntica travessia no deserto e somente 8 anos depois regressam à fase final de uma grande competição apresentando uma equipa muito jovem e de qualidade. Infelizmente tiveram bastante falta de sorte no sorteio já que aterraram no grupo da morte juntando-se aos favoritos Holanda, Itália e França. A correr por fora podem surpreender e para isso poderá ser decisivo Mutu, o talentoso avançado, que depois de afastados os problemas relacionados com a cocaína, renasceu nos últimos anos em Itália, fazendo excelentes épocas na Juve e na Fiorentina. Chivu, Radoi e Contra são defesas que oferecem enormes garantias.

GRÉCIA
Os campeões em título estão teoricamente mais fortes que há 4 anos, mas isso não quer dizer que consigam alcançar novamente tamanho feito. Para isso é preciso que a fortuna que sempre os acompanhou por terras lusitanas em doses extraordinariamente elevadas se mantenha consecutivamente com os helénicos! A aposta táctica deverá consistir no esquema da retranca e ferrolho, depois nas bolas paradas tentar fazer um golito e voltar a estacionar o autocarro em frente da baliza de Nikopolidis, afinal deu resultado no Euro 2004... O médio ofensivo Karagounis é o jogador mais talentoso e de elevado recorte técnico, não se lhe podem permitir muitos espaços nem cometer faltas na proximidade da área, Ricardo que o diga...

SUÉCIA
Os suecos têm sido clientes habituais das últimas fases finais e têm invariavelmente passado à 2ª fase, onde caem de imediato. A equipa é praticamente a mesma do Euro 2004, apenas um outro retoque e o fio de jogo é o normal para uma equipa nórdica, futebol atlético e musculado, jogado a alta velocidade e de lançamentos longos para a frente. A destoar deste estilo está a sua grande figura, Ibrahimovic, um portento de técnica individual, poderoso fisicamente, um dos melhores avançados da actualidade. Pela selecção Zlatan não tem brilhado, facto a que não será alheio o seu feitio quezilento, autêntica primadonna... Num grupo muito equilibrado são candidatos ao apuramento.

RÚSSIA
Para o fim fica aquela que poderá ser a grande surpresa do Euro 2008! Selecção jovem em crescimento sustentado e bem dirigida pelo mago Hiddink, mescla a fantasia do ataque do Zenit com a segurança defensiva do CSKA de Moscovo, incluindo ainda outros talentos do futebol russo, em grande evolução qualitativa. A estrela é Arshavin, número 10 do Zenit, man of the match da última final da Taça UEFA. Dotado tecnicamente com grande visão de jogo é o patrão da selecção russa, por ele passa todo o jogo ofensivo da equipa. A expulsão em Andorra na última partida de qualificação impede-o de actuar nos dois primeiros jogos, a questão é saber até que ponto esta baixa irá influenciar o jogo da Rússia... Outros jogadores de qualidade são o melhor marcador da Taça UEFA, Pogrebnyak, o guarda-redes Akinfeev e o esquerdino Zhirkov.

quinta-feira, junho 05, 2008

Euro 2008: Alemanha

10ª Presença na Fase Final: 1972, 1976, 1980, 1984, 1988, 1992, 1996, 2000, 2004 e 2008
Palmarés: Vencedor em 1972, 1980 e 1996
Finalista em 1976 e 1992
Semi-finalista em 1988

Treinador: Joachim Löw
Não surpreendeu a escolha de Löw para seleccionador alemão após o Mundial 2006 já que tinha sido o adjunto de Klinsmann na competição e segundo o próprio Klinsmann tinha sido muito mais do que um treinador adjunto ao influenciar fortemente as abordagens tácticas e a escolha do onze em cada partida.
Löw destaca-se pelas inovadoras técnicas de treino aliada a uma forte concepção ofensiva de estilo de jogo. Gosta ainda de apostar em jovens jogadores e de tirar o máximo partido do seu potencial.
A Alemanha foi a primeira equipa a garantir a qualificação para o Euro 2008 e a sua carreira ficou apenas ensombrada com a derrota caseira no último jogo com os checos por 3-0. Com a esmagadora maioria da base da equipa do Mundial 2006 a manter-se e a evoluir de maneira muito significativa podem-se considerar os alemães como um dos grandes favoritos ao título europeu.

Equipa provável: (4*4*2) Lehmann; Lahm, Metzelder, Mertesacker e Jansen; Hitzlsperger, Frings, Ballack e Schweinsteiger; Gómez e Klose.

Pontos Fortes:
- Rotinas, estilo de jogo e estrutura contínuos desde o Mundial 2006
- Dinâmica ofensiva de grande nível com dois laterais muito ofensivos, meio campo pressionante e ataque concretizador
- A tradição vitoriosa dos alemães em fases finais de Europeus

Pontos Fracos:
- Debilidade defensiva dos centrais, pouco móveis e demasiado lentos
- Incógnita Lehmann, época para esquecer no Arsenal e veterania são riscos a correr por Löw
- Falta de opções de qualidade no banco, nomeadamente na defesa e meio campo

A figura: Michael Ballack
O capitão da mannschaft é a grande figura do futebol germânico desde a extraordinária temporada no Leverkusen em 2002 que levou o clube à final da Champions, perdida para o colosso Real Madrid. Ballack transferia-se depois para o maior clube alemão, Bayern Munique, onde confirmaria todo o seu talento e qualidade. No Mundial 2002 foi a grande estrela da campanha que levaria os alemães até à final, mas a equipa sentiria em demasia a sua ausência na final devido a castigo. Em 2006 assinou pelo Chelsea e só nos últimos meses conseguiu obter um rendimento consentâneo com o seu real valor.
Médio ofensivo possante, fortíssimo no jogo aéreo e na marcação de bolas paradas, possui ainda um remate potente que lhe vale normalmente muitos golos por época. Os 35 golos obtidos pela selecção confirmam isso mesmo. Vai ser com toda a certeza o pivot ofensivo do meio campo germânico durante o Euro 2008.

A revelação: Marcell Jansen
Lateral esquerdo de grande propensão ofensiva, veloz, dinâmico e capaz de efectuar cruzamentos de grande nível é a grande revelação do futebol alemão desde o Mundial 2006 o que lhe valeu a transferência no ano passado do Mönchengladbach para o Bayern Munique por 9 milhões de euros.
Foi o jogador alemão mais jovem presente no Mundial 2006, mas apenas jogaria com Portugal no encontro de atribuição do 3º e 4º lugares. Desta vez tem garantido o lugar de lateral esquerdo passando assim Philippe Lahm para a sua posição natural de lateral direito, atirando o rudimentar Friedrich para o banco de suplentes.
Com 22 anos, Jansen foi uma das grandes figuras do Bayern em 2007/08 onde venceu a Bundesliga e a Taça, já se pode considerar como um dos melhores laterais esquerdos da actualidade.

O ausente: Bernd Schneider
Apesar dos 34 anos seria com certeza o titular no lado direito do meio campo alemão, mas uma lesão sofrida em Abril levou-o a ser operado e a falhar o Euro 2008. Extremo à moda antiga, joga colado à linha, tem uma técnica individual muito acima da média para um jogador alemão, possui ainda uma velocidade muito significativa e arranca cruzamentos de grande qualidade.
Desde 1999 que representa o Leverkusen onde atingiu a final da Champions em 2002 e é actualmente o capitão de equipa.
Com a sua ausência surge uma grande dor de cabeça para Löw que não tem grande alternativa já que o substituto natural Odonkor é rapidíssimo, mas muito limitado em outros aspectos nomeadamente técnicos e tácticos. A solução mais plausível será adaptar um centrocampista à direita, Hitzlsperger e Borowski são os mais fortes candidatos.

Craque do passado: Mathias Sammer
Sempre tive especial curiosidade pela posição de líbero já que tinha ouvido dizer maravilhas de Beckenbauer, Scirea e Baresi no desempenho dessa singular posição. O melhor exemplo que vi a actuar nesse posto foi sem dúvida Sammer, brilhante estratega e grande figura do título alemão no Euro'96.
Nasceu na antiga RDA, começou a carreira no Dínamo Dresden, clube da sua cidade natal. Em 1990 passou para o Estugarda realizando duas boas temporadas que lhe valeram o salto para o Inter, onde tal como muitos craques dessa altura não se impôs, saindo em 1993 para o Dortmund onde conquistaria a Champions em 1997. Lesão gravíssima no joelho obrigaria-o a terminar precocemente a carreira em 1998, contava apenas 30 anos.
Tive especial gosto em vê-lo jogar no Euro'96, liderava de maneira impressionante a defesa alemã, era o primeiro organizador de jogo e não raras vezes aparecia em zona de finalização, tendo marcado um golo de belo efeito contra a Croácia nos 1/4 de final. Nesse mesmo ano de 1996 receberia a Bola de Ouro, troféu raramente entregue a um defesa, o que diz bem da sua extraordinária perfomance no Euro'96. Actualmente é o director técnico da selecção alemã depois de ter enveredado pela carreira de treinador, tendo vencido uma Bundesliga em 2002 pelo Dortmund.

quarta-feira, junho 04, 2008

Euro 2008: Espanha

8ª Presença na Fase Final: 1964, 1980, 1984, 1988, 1996, 2000, 2004 e 2008
Palmarés: Vencedor em 1964
Finalista em 1984



Treinador
: Luis Aragonés

O veterano técnico espanhol treinava o seu Atlético de Madrid quando assumiu o comando da selecção nacional após o desaire no Euro 2004, Iñaki Sáez não conseguiu passar à 2ª fase e foi afastado.
A qualificação para o Mundial foi complicada e a Espanha ficou atrás da Sérvia no grupo tendo de jogar o play-off de qualificação com a Eslováquia que seria facilmente ultrapassado. Já na Alemanha uma primeira fase de grande categoria criou grandes expectativas que sairiam goradas já que a França nos 1/8 de final venceria os espanhóis por 3-1. Apesar do desaire Aragonés renovou por 2 anos e conseguiu qualificar a selecção espanhola sem grandes sobressaltos para o Euro 2008. Como sempre a Espanha é um dos fortes candidatos ao triunfo final, mas desde 1984 que não atinge sequer uma meia final de uma grande competição! Será desta que nuestros hermanos, liderados por um treinador experiente, conseguirão chegar longe?

Equipa provável: (4*4*2) Casillas; Sérgio Ramos, Puyol, Albiol e Capdevilla; Senna, Xavi, Iniesta e Silva; David Villa e Fernando Torres.

Pontos Fortes:
- Dupla de ataque de qualidade indiscutível
- Meio campo de enorme versatilidade e talento: Iniesta, Fabregas e Xavi são garantia de futebol espectáculo
- Guarda redes de grande categoria

Pontos Fracos:
- A polémica ausência de Raul, autor de excelente temporada e autêntico mito do futebol espanhol
- Alguma debilidade defensiva, Sérgio Ramos é o único de qualidade inquestionável
- A tradição de falhanço rotundo nas fases finais desde 1984

A Figura: Fernando Torres
El Niño é simplesmente um dos melhores pontas de lança da actualidade e apresenta como grandes características uma velocidade e capacidade de aceleração brutais conjugada com uma técnica individual tremenda e aprimorada por uma excelente vertente finalizadora cimentada no último ano em Anfield Road.
Fernando Torres jogou sempre no Atlético de Madrid, onde se estreou na equipa principal com apenas 17 anos. Nessa altura os colchoneros amargavam na 2ª divisão e El Niño foi um dos principais obreiros da subida de divisão. Desde aí tornou-se a grande figura do Vicente Calderón, que com o passar dos anos ficou pequeno para tão grande talento e como santos da casa não fazem milagres o seu passe foi vendido ao Liverpool por verba superior a 30 milhões de euros no Verão passado. Ao serviço dos reds realizou uma época notável marcando mais de 30 golos e sendo eleito o segundo melhor jogador do ano em Inglaterra atrás do inevitável Cristiano Ronaldo. É de El Niño que os espanhóis esperam as maiores alegrias no Euro 2008.

A Revelação: Cesc Fabregas
Com apenas 21 anos é um dos médios mais talentosos e proeminentes da actualidade tendo sido a grande figura do Arsenal na última temporada.
Oriundo das camadas jovens do Barcelona seria contratado pelos gunners em 2003 onde seria pouco depois o jogador mais jovem de sempre a alinhar e a marcar pelo clube londrino. Com a saída de Vieira em 2005 tornou-se no patrão do sector intermediário com os seus passes verticais e as suas aparições em grande estilo na zona de finalização com grande acerto concretizador.
Outro recorde pessoal de Cesc é o de ter sido o jogador espanhol mais jovem de sempre a alinhar numa fase final de um Campeonato do Mundo, há 2 anos frente à Ucrânia com apenas 19 primaveras completas.
Estranhamente Aragonés dá ideia de preferir o brasileiro naturalizado espanhol Senna para a sua posição, algo incompreensível na minha opinião... Mesmo assim será sempre uma opção de qualidade indiscutível a lançar em campo em qualquer altura.

O Ausente: Raul
Se existe jogador espanhol nos últimos 15 anos que dispensa apresentações é Raul, avançado do Real Madrid, que durante todos estes anos se tem mantido continuamente no topo do futebol mundial! Em 2007/08 foi um dos grandes responsáveis por mais um título do gigante madrileno somando golos a boas exibições. Posto isto é totalmente absurdo para um comum adepto verificar que Raul está fora do Euro 2008 por mera opção do seleccionador espanhol! Eu não fujo à regra e pergunto-me como tal é possível...
É óbvio que Torres é indiscutível e mesmo Villa, muito mais jovem que Raul, tenha tudo para ser o segundo avançado de Espanha, mas Raul como suplente tinha lugar mais que garantido! Sustento esta afirmação ao olhar para a lista de convocados espanhola e ver um tal de Sérgio Garcia, nenhuma internacionalização por Espanha, apontou 4(!) golos pelo Saragoça esta época, clube que seria despromovido! Sem mais comentários...

Craque do passado: Luis Suarez
Depois de na primeira edição do Europeu, Franco não ter permitido que a Espanha defrontasse o inimigo ideológico União Soviética nos 1/4 de final coube por ironia do destino na edição seguinte (1964) disputada em casa jogar com os soviéticos a final do torneio num Santiago Bernabéu completamente lotado!
Franco via a partida muito mais que um simples jogo de futebol, era uma autêntica batalha entre a ideologia fascista e a socialista e os jogadores espanhóis tinham imperiosamente que vencer!
Suarez era o jogador espanhol mais categorizado, actuava no Inter de Milão desde 1961, altura em que deixou o Barcelona. Centrocampista de grande classe e personalidade, destacava-se com a grande precisão dos seus passes longos e a maneira exímia como surgia a finalizar o que lhe valeu a obtenção de muitos golos e a conquista da Bola de Ouro em 1960. Em relação à final do Euro'64 foi o melhor em campo nessa partida e foi dele o passe para o golo de Marcelino aos 85' que daria o triunfo na competição a Espanha já que o marcador se encontrava em 1-1 desde os 8' de jogo.
Suarez venceu duas Champions e três scudetti pelo Inter e duas ligas espanholas pelo Barça entre outros títulos. Como treinador comandou o Inter por três vezes (1975, 1992 e 1995) e a selecção espanhola no Mundial'90 sem grande sucesso.

segunda-feira, junho 02, 2008

Bon Jovi no R.i.R. memorável!

Fantástico! Sublime! Inesquecível! Brilhante! Simplesmente memorável! Assim foi o concerto dos Bon Jovi no Rock in Rio em Lisboa no passado sábado a que tive a felicidade de poder assistir!
Duas horas de rock a fundo perante cerca de 80 mil pessoas em absoluto delírio! Desfile impressionante de alguns dos seus grandes sucessos dos anos 80 e 90 como Born To Be My Baby, You Give Love A Bad Name, Runaway, Into These Arms, Keep The Faith ou Bad Medicine complementado com algumas sublimes baladas, Always e I'll Be There For You, esta interpretada pelo guitarrista Richie Sambora. Outros momentos altos foram Sleep When I'm Dead que teve a meio covers de Mercy (Duffy) e Start Me Up (Rolling Stones), Blaze Of Glory e It's My Life. Só faltou mesmo uma das minhas favoritas, Bed Of Roses, mas com um reportório tão extenso como eles têm, é impossível tocarem todas...
A última música do alinhamento inicial foi Livin' On A Prayer, provavelmente o melhor momento do memorável concerto! Para o encore Jon Bon Jovi apareceu vestindo uma camisola da selecção nacional de futebol com o número 31 e o seu nome nas costas!
Só espero que não demorem outros 13 anos a regressar a Portugal, embora eu acredite que depois da receptividade e da empatia com o público demonstrada no sábado tal não aconteça!



Bon Jovi "Livin' On A Prayer (ao vivo no Rock in Rio, Lisboa)"