sexta-feira, março 06, 2009

O 'terramoto' Mourinho

Como nota introdutória tenho que realçar o respeito e admiração que tenho por Mourinho como excelente profissional e pelas inúmeras conquistas enquanto treinador. Como português sinto imenso orgulho por ver um compatriota atingir o sucesso a uma escala verdadeiramente planetária!
Como consequência da Lei Bosman e do desnível cada vez maior existente entre países/clubes ricos dos pobres, recordo-me pensar ser praticamente impossível voltar a ver uma equipa portuguesa conquistar uma competição europeia. Estava redondamente enganado pois Mourinho conseguiu o enorme feito de conquistar a Taça UEFA em 2003 e a Champions em 2004 com o FC Porto, algo simplesmente extraordinário para o futebol português!
Se em termos internacionais essas conquistas foram amplamente merecidas e sem quaisquer espécie de ressalvas, em termos nacionais os títulos conseguidos por Mourinho ficaram ensombrados pelo tristemente célebre Apito Dourado, no qual dirigentes do FC Porto corromperam árbitros. Até hoje nunca foi esclarecido se Mourinho sabia ou não da situação, imagino que a desconhecesse por completo, mas apesar disso nunca comentou esse incómodo assunto...

Em Maio de 93 vibrei intensamente com a conquista da Taça UEFA por parte da Juventus, uma equipa de sonho onde pontificavam nomes como Roby e Dino Baggio, Vialli, Ravanelli, Conte, Ferrara e Peruzzi. Desde essa data tornei-me adepto indefectível da vecchia signora, entusiasmei-me com a maravilhosa equipa de Lippi e as suas inesquecíveis conquistas, enfureci-me com as finais da Champions perdidas perante Dortmund e Real Madrid, agonizei com o vazio de títulos durante a gestão de Ancelotti, vibrei com o regresso de Lippi e a conquista de novos títulos, chorei ao ver as lágrimas de Nedved após a semi-final com o Real Madrid, praguejei contra Capello por deixar insistentemente Del Piero no banco, envergonhei-me com o Calciocaos, recomecei da estaca zero com a queda na Série B e confio num futuro vitorioso muito em breve.
Tudo isto vivido com muita emoção, gratuita, como é normal num comum adepto. Como tal sinto-me no pleno direito de rebater por completo as injustas acusações que o profissional Mourinho, assalariado do Inter por 9 milhões de euros anuais, dirigiu à Juventus.

Muito sinceramente penso que já vi este filme de Mourinho, tal e qual como aconteceu aquando da sua passagem pelo FC Porto. Com as ajudas da arbitragem a tornarem-se cada vez mais óbvias e flagrantes o tom cerrado das críticas aumentou e Mourinho sentiu a necessidade de disparar em todas as direcções com o objectivo perfeitamente compreensível de aglutinar jogadores e dirigentes na luta contra os inimigos do clube que representa, exactamente como fez esta semana!
Não acredito que Moratti esteja a corromper árbitros como Pinto da Costa fez, acredito sim que os árbitros tenham uma tendência natural para beneficiar a equipa mais poderosa do campeonato, aquela que tem exercido um domínio inequívoco nos últimos anos, uma espécie de estigma ou élan que protege os mais fortes. Foi assim com a Juventus e o FC Porto na década de 90. Sigo atentamente a Premiership e noto um certo proteccionismo ao Man Utd, não é muito evidente à primeira vista, mas ouso afirmar que ele existe. Apesar de ser errado acaba por ser normal um certo benefício aos chamados grandes e como tal só ficava bem a Mourinho reconhecer esse facto, mas nunca até hoje o ouvi dizer que a sua equipa tinha sido beneficiada, apenas o tal lance de Siena que é tão flagrante que só lhe ficava ainda mais mal não o reconhecer...

Os principais jornais desportivos italianos não tardaram em fazer comparações entre erros a favor e contra de Inter e Juve e até elaboraram classificações virtuais. Como a Gazzetta dello Sport e o Tuttosport são fortemente conotados com os emblemas em questão achei por bem ter apenas em consideração a análise do romano Corriere dello Sport. Quem estiver interessado está aqui o link.
Segundo o referido diário os nerazzurri teriam 15 decisões a favor e 8 contra enquanto os bianconeri 10 favoráveis e 6 desfavoráveis. Debrucei-me então sobre a análise pormenorizada dos lances e constatei que alguns deles nem deveriam contar visto que na altura em que ocorreram já os respectivos desafios estavam mais que decididos. Depois ri-me com a descrição do lance do golo de Ronaldinho contra o Inter na primeira volta, que deveria ter sido anulado porque Kaká estava com o pé direito fora de jogo...
Lá me concentrei, tentei ser o mais imparcial possível e conclui que a Juve não se pode queixar nem sentir bafejada pelas arbitragens. É certo que há erros graves a favor tais como o penalty não assinalado a favor do Catania ou o cometido por Mellberg sobre Jovetic e o golo anulado a Gilardino, ambos com influência directa no resultado, mas também existem penalties não assinalados contra Lecce, Cagliari ou Palermo igualmente decisivos no marcador final.
Quanto ao Inter tem realmente um saldo de decisões favoráveis e decisivas bem superior às contrárias. Começando pelos penalties de Zanetti em Génova e de Burdisso em Florença, passando pelo off-side de Maicon em Siena, o golo com a mão de Adriano e o penalty fantasma de Balotelli vão muitos eventuais pontos a favor que um penalty de Abate (Torino) e o pé direito de Kaká não compensam de maneira nenhuma!
Ainda esta semana nos jogos a contar para a Taça de Itália se viu a diferença de tratamento: Iaquinta viu-lhe ser um golo anulado por estar no máximo dos máximos com o braço esquerdo fora de jogo enquanto Cordoba e Zanetti continuaram em campo depois de efectuarem entradas duríssimas. A mesma sorte já não teve Gastaldello da Samp...

Espero vivamente que este caso Mourinho e a polémica sobre as arbitragens sejam encerrados o quanto antes e que os protagonistas do Calcio voltem a pensar naquilo que é realmente importante e bonito: o futebol jogado dentro das quatro linhas!

terça-feira, março 03, 2009

Riade, 20 anos depois


3 de Março de 1989, Riade (Arábia Saudita), data e local marcantes na história do futebol português com a conquista do primeiro título mundial de júniores!
O feito teve tanto de inesperado como de positivo já que serviu como base de apoio para o crescimento efectivo e sustentado das selecções nacionais, desde os escalões de base até à equipa principal.
Nessa altura, a selecção nacional era encarada com sobranceria e desconforto por parte da maioria da crítica e dos adeptos em geral após a desastrosa participação no Mundial do México'86, onde os jogadores se preocuparam mais com os prémios de jogo do que em jogar futebol e os dirigentes fizeram tudo menos dirigir, acabando todos estes factores por originarem o tristemente célebre caso Saltillo.
A surpreendente conquista do primeiro título mundial do futebol português serviu como uma verdadeira lufada de ar fresco nas mentalidades conservadoras que dirigiam o futebol assistindo-se a partir daí a uma efectiva e sustentada aposta na formação do jovem jogador nacional, algo que até essa data era visto como mais uma despesa no orçamento da selecção ou do clube...

Carlos Queiroz foi o treinador obreiro desta conquista, tendo assumido o cargo de seleccionador nacional júnior no Verão de 87, altura em que começou a preparar com afinco a trajectória até Riade. No primeiro treino as suas palavras para os jogadores foram: "Quero que saibam que o motivo porque estão aqui é só um: queremos ser campeões do Mundo em Riade!"
Os jovens jogadores, alguns com 16 e 17 anos, tiveram reacções diversas, uns riram-se, outros olharam para baixo e a maioria ficou incrédula. Talvez tivessem razão, pois Portugal não estava habituado a este tipo de feitos. Queiroz não se deteve e no ano seguinte no Europeu'88 alcançou o segundo lugar perdendo apenas no prolongamento diante da poderosa URSS.
Apesar do feito, poucos levavam a sério as ambições de Queiroz, que passavam inicialmente pela revolução de mentalidades. "Há 20/25 anos, quando atravessávamos a fronteira, era tudo melhor: hotéis, estradas, aviões, até as miúdas eram mais giras. Por isso costumo dizer que, quando começava o jogo, já perdíamos por 0-3."
A preparação prosseguiu com Portugal a defrontar adversários tradicionalmente fortes como França, RFA, Inglaterra, Espanha, Itália e a selecção olímpica do Brasil. Queiroz inovava nos métodos e conceitos de trabalho, e em Fevereiro de 89 Portugal chegava à Arábia Saudita apenas com o estatuto de mais um entre os 16 participantes.

Tudo começou com um golo de cabeça de Paulo Alves frente aos checoslovacos mesmo a terminar a partida. No jogo seguinte o craque João Pinto decidia o desafio com um golo solitário perante a Nigéria e já qualificados perderíamos de forma estrondosa por 3-0 perante o país organizador.
Nos 1/4 de final seria Jorge Couto a decidir a contenda diante da Colômbia. Na meia-final as perspectivas não eram animadoras ao ter que se enfrentar o super-favorito Brasil, mas novo triunfo pela margem mínima, desta vez com golo de Amaral, colocava Portugal na final com a Nigéria.
No balneário, antes da final, ficaram célebres as palavras de Queiroz para os jogadores: "Vão para dentro de campo e divirtam-se." Um golaço de Abel Silva a fechar a primeira parte e outro de Jorge Couto no segundo tempo a culminar um excelente slalom davam a Portugal o primeiro título mundial!



Os heróis de Riade

Bizarro foi o guardião titular beneficiando da ausência de Vítor Baía, já na época titular indiscutível do Porto. Guarda-redes seguro e de boa envergadura, formado nas escolas do Benfica, acabou por não confirmar o que dele se esperava, fazendo uma carreira por clubes de menor nomeada como Marítimo, Leixões ou Rio Ave.
O suplente era Brassard, promovido dos juvenis, acabou por não alinhar nenhum minuto, sendo no entanto o titular dois anos depois no Mundial'91 de Lisboa. Também ele formado no Benfica e tapado por Preud'homme acabou por prosseguir a carreira no Varzim e Setúbal, onde pendurou as luvas com apenas 29 anos em virtude de uma grave lesão. Actualmente é o treinador de guarda-redes da selecção nacional.

Os laterais eram extremamente promissores: Abel Silva e Morgado, mas nenhum dos dois conseguiu firmar uma carreira à altura das expectativas. Formados no Benfica e Porto respectivamente, acabaram por não ter lugar nas equipas principais fazendo o resto da carreira noutros emblemas da 1ª divisão.
Curiosamente o central indiscutível para Queiroz foi o que teve, de longe, a carreira menos conseguida, Valido. Formado no Benfica onde nunca teve uma verdadeira oportunidade, passou depois por uma lista enorme de clubes onde se destacam o Belenenses e o Amadora.
Os outros centrais eram Paulo Madeira e Fernando Couto, que rodaram entre si nos vários jogos, tendo sido mesmo o benfiquista o preferido por Queiroz na final. Madeira efectuou uma boa carreira com passagens marcantes por Benfica e Belenenses, tendo mesmo representado o Fluminense em final de carreira. Quanto a Couto, afirmou-se como titular indiscutível do Porto no início da década de 90 tendo rumado a Itália em 94 onde representou Parma e Lazio. Jogou ainda duas épocas no Barcelona. Foi um dos melhores defesas centrais do futebol europeu na década de 90, atingindo o ponto máximo na carreira no Euro'2000 com exibições simplesmente notáveis.

O trio de centrocampistas era formado por Tozé, Hélio e Filipe. O primeiro, capitão de equipa em Riade, foi formado no Leixões, passando depois com algum sucesso pelo Tirsense, sem nunca ter atingido elevado nível. Hélio efectuou uma carreira brilhante ao serviço do Setúbal, clube que representou durante 18 temporadas. Com um pouco mais de sorte ou ambição poderia perfeitamente ter alinhado num dos grandes. Filipe era um esquerdino talentoso com dotes de organizador, que nunca conseguiu vingar no Sporting devido a graves e recorrentes lesões nos joelhos. Pode-se dizer que passou ao lado de uma grande carreira.

Os suplentes no meio-campo eram Resende e... Paulo Sousa! É verdade, aquele que ficou conhecido como o regista do futebol português, não era titular nesta selecção de Riade, alinhando inclusivamente na época como médio ala-direito! A sua carreira ímpar com os títulos europeus conquistados ao serviço da Juventus e do Dortmund, assim como as passagens com enorme sucesso por Benfica e Sporting ainda na fase inicial da carreira, falam por si. Quanto a Resende, foi formado no Benfica e efectuou uma carreira quase incógnita passando por várias equipas dos escalões secundários do futebol português.

Amaral e Jorge Couto eram os extremos titulares. Amaral, formado nas escolas do Sporting, distinguia-se por possuir uma velocidade e capacidade de aceleração notáveis, mas passou completamente ao lado de uma grande carreira. Não se afirmou em Alvalade, passou ainda pelo Benfica e Belenenses, mas depois disso foi sempre a descer. Couto fez uma carreira bastante valiosa ao serviço do Porto e Boavista. Veloz, bom executante ao nível do passe e do cruzamento, faltou-lhe qualquer coisa para ser um jogador de top...
Os suplentes, Folha e Resende, foram pouco utilizados durante a competição. Entretanto, Folha com o passar dos anos evoluiu, o que o levou a afirmar-se no Porto, chegando a ser internacional AA, embora sem nunca atingir patamares particularmente elevados. Pelo contrário, Resende, realizou uma carreira quase obscura, sempre ao serviço de formações das divisões secundárias.

A grande estrela da equipa com apenas 17 anos, o menino de ouro, João Pinto. Na altura alinhava sozinho na frente e destacava-se pela enorme habilidade, agilidade e velocidade de execução. Enorme talento precoce, sagrar-se-ia bi-campeão mundial dois anos depois em Lisboa. Formado no Boavista, não tardou a que rumasse ao estrangeiro, mais concretamente ao Atlético de Madrid, onde os tenros 18 anos e a instabilidade natural vivida no clube madrileno não o deixaram afirmar-se. Regressou ao Bessa em 91 e no ano seguinte seguia para o Benfica numa avultada transferência. Durante 8 temporadas afirmou-se como o grande símbolo das águias tendo rejeitado várias propostas milionárias do estrangeiro. Inexplicavelmente, foi dispensado em vésperas do Euro'2000 tendo assinado pouco depois do torneio pelo rival Sporting onde voltou a realizar várias temporadas de excelente nível, passando ainda por Boavista e Braga no ocaso da carreira.
Como arca secreta, o ponta de lança Paulo Alves, desengonçado, mas excelente cabeceador. Foi formado no Porto, onde nunca teve chance de se afirmar. Deu nas vistas no Marítimo, passando depois para o Sporting onde realizou algumas temporadas de bom nível que o levaram à selecção nacional.

Em jeito de conclusão, apenas 9 dos 18 campeões mundiais de Riade chegaram a internacionais AA:
Fernando Couto (110 jogos, 8 golos)
João Pinto (81 jogos, 23 golos)
Paulo Sousa (51 jogos)
Folha (26 jogos, 5 golos)
Paulo Madeira (24 jogos, 3 golos)
Paulo Alves (13 jogos, 7 golos)
Jorge Couto (6 jogos)
Filipe (3 jogos)
Hélio (1 jogo)

sábado, fevereiro 28, 2009

Cinzento final de tarde


Finalmente, acordo... já alta vai a tarde
um cinzento lúgubre como o meu espírito
perpetua o acto mais cobarde
de quem passivamente aceita o veredicto

Uma réstia de Sol já se vai por
num triste reflexo cortante
que nem o mais brutal agressor
poderia transpor ao meu universo dilacerante

O silêncio é sinónimo de saudade
caio num teimoso monólogo
incoerente e insano, mas repleto de verdade

A noite cai escura como breu
é doloroso o epílogo
imediatamente após o apogeu...

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Champions, a antevisão


Aí está de volta a Champions com uns 1/8 de final que se perspectivam simplesmente electrizantes tal a qualidade das equipas neles envolvidas! Eis a antevisão:


Os duelos Itália vs Inglaterra

O reencontro entre Mourinho e Ferguson é o cabeça de cartaz desta fase da prova, uma espécie de final antecipada entre Inter e Man Utd, com o favoritismo a recair bastante sobre os actuais campeões europeus.
Os nerazzurri dependem excessivamente da genialidade de Ibrahimovic e das subidas de Maicon. O resto é uma equipa consistente e segura, mas com um défice gritante de criatividade algo que os red devils apresentam a rodos com Cristiano Ronaldo, Berbatov, Rooney ou Tevez entre outros. A segurança defensiva do Man Utd é impressionante, aliada a um enorme poderio ofensivo que poderá desequilibrar decisivamente a balança da eliminatória para o lado inglês. Contudo, há sempre que esperar pelo efeito Mourinho, embora eu duvide muito que desta vez o treinador português volte a correr loucamente pela linha lateral de Old Trafford, festejando o golo da qualificação obtido no último minuto...

O duelo entre Chelsea e Juventus é aguardado com enorme expectativa por vários motivos. O regresso de Ranieri a Stamford Bridge, a óptima campanha dos bianconeri na primeira fase em contraponto com o mediano desempenho dos blues e o efeito Hiddink na equipa londrina são excelentes motivos de interesse.
Se em termos individuais o Chelsea poderá levar vantagem, nos aspectos colectivos e na experiência a supremacia é claramente bianconera com o seu jogo físico assente em transições rápidas e contando com os recém regressados Chiellini, Tiago, Camoranesi e Trezeguet, todos eles já em boa forma.

O Olímpico de Roma recebe a final da edição deste ano e a Roma sonhará por certo com a presença no jogo decisivo. Muita da estratégia de Spaletti passará por Totti, que se encontra em dúvida para o jogo da 1ª mão. Depois de um péssimo início de temporada os giallorossi têm subido gradualmente de produção e podem perfeitamente afastar um Arsenal atípico, muito longe dos objectivos na Premiership, com alguns jogadores nucleares ausentes por lesão como Fabregas, Adebayor ou Walcott.


As equipas portuguesas

O Porto tem legítimas aspirações de atingir os 1/4 de final ao enfrentar um Atlético de Madrid mergulhado numa forte crise em consequência de uma série de maus resultados que afastou Aguirre do comando da equipa. O antigo guarda-redes Abel Resino assumiu o leme dos colchoneros, mas as melhorias tardam em surgir sendo uma autêntica incógnita antever o que os madrilenos poderão fazer nesta eliminatória.
O poderio ofensivo da equipa espanhola é digno de registo com Forlan e Aguero na frente, extremamente bem apoiados nas alas por Simão e Maxi. Pelo contrário a defesa apresenta enorme lacunas. O Porto é fortíssimo no contra-ataque com Hulk e Lisandro letais na finalização quando bem servidos por Lucho. É nas laterais que apresenta as maiores pechas e é aí que a eliminatória se poderá decidir.

Quanto ao Sporting tem em teoria um adversário mais complicado, mas envolto numa fase bastante má na Bundesliga onde caiu para 4º lugar depois de várias derrotas. Contudo, o Bayern continua a ser claro favorito ou não apresentasse no seu elenco jogadores temíveis como Ribery, Schweinsteiger, Klose ou Toni.
Os leões se quiserem ultrapassar os bávaros terão que estar insuperáveis na defesa, apresentar um meio campo em alta rotação com Vukcevic e Izmaivov a criarem desequilíbrios para Liedson poder fazer a diferença.


A tradição

Real Madrid e Liverpool são duas das equipas mais tituladas a nível mundial e este confronto também pode ser encarado como uma espécie de final antecipada. Os reds com Benítez são especialistas em eliminatórias da Champions, portanto terá que lhe ser concedido algum favoritismo. O seu jogo assenta numa forte componente defensiva, meio campo extremamente povoado e pressionante deixando as despesas ofensivas para a dupla diabólica Gerrard - Torres.
Os merengues estão numa série de óptimos resultados com Juande Ramos, apresentando uma eficácia ofensiva invejável com Raúl, Higuain e Robben em óptimo momento de forma. No entanto o seu meio campo defensivo não protege condignamente a defesa que é bastantes vezes apanhadas em contrapé. Poderá passar por aí a chave da eliminatória...

O Lyon está pela sexta vez consecutiva nesta fase da prova, mas apresenta-se menos forte do que em edições anteriores. Já defrontou em quatro ocasiões o Barcelona e nunca venceu prevendo-se que seja bastante difícil consegui-lo agora. Os catalães foram até há uma semana e meia, de longe, a melhor equipa da Europa, mas dois maus resultados consecutivos podem ter abalado a estrutura e a confiança da equipa. É isso que se irá ver nesta eliminatória, embora se preveja que a classe de Messi, aliada ao poder concretizador de Eto'o façam toda a diferença.
No lado gaulês a irreverência e talento de Benzema conjugada com a classe de Juninho Pernambucano podem fazer com que aconteça uma surpresa...


Os out-siders

O sorteio teve o curioso designío de colocar frente a frente aquelas que são muito provavelmente as duas equipas mais fracas ainda em prova, Villarreal e Panathinaikos, naquele que é sem sombra de dúvida o duelo menos mediático destes 1/8 de final.
O submarino amarelo começou em grande estilo a época, mas aos poucos tem vindo a decair de produção, contudo aguentando-se ainda nos lugares europeus na Liga Espanhola e qualificando-se na Champions. É essencialmente uma equipa de combate e contenção, mesclando jogadores espanhóis com sul-americanos.
Os gregos foram a grande surpresa da primeira fase muito graças à tremenda inspiração de Karagounis, antigo jogador do Benfica e Inter, que decidiu várias partidas a favor do PAO com lances de pura classe. Se essa inspiração continuar é perfeitamente possível que possam seguir em frente.


Prognóstico:

Atlético de Madrid 50% - 50% Porto
Lyon 30% - 70% Barcelona
Arsenal 45% - 55% Roma
Inter 35% - 65% Man Utd
Real Madrid 40% - 60% Liverpool
Chelsea 50% - 50% Juventus
Villarreal 50% - 50% Panathinaikos
Sporting 35% - 65% Bayern Munique

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

U2 for Obama

Enquanto não chega o novo e muito ansiado No Line On The Horizon, aqui fica o vídeo da fantástica actuação dos U2 no Lincoln Memorial em Washington no passado dia 18 de Janeiro, no concerto de comemoração da tomada de posse de Barack Obama.
As duas músicas tocadas pelos U2 dificilmente poderiam ter sido melhor escolhidas devido à grande carga simbólica que ambas transmitiram à ocasião, Pride (In The Name of Love), tributo a Martin Luther King e City of Blinding Lights, tema usado durante a campanha presidencial de Obama.



Pride (In The Name of Love) + City of Blinding Lights
U2

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Dois pesos e duas medidas


Se a opinião de cada um é como cada qual, há que saber ouvi-la e respeitá-la, o que a comunicação social transmite deveria ser isento e realista, não devendo tentar manipular a opinião colectiva com ideias falsas e pré-concebidas do tema em questão.
Quem não acompanhe muito por dentro a cena da política internacional decerto terá ficado com a ideia que Hugo Chávez ao vencer o recente referendo na Venezuela, foi eleito como presidente desse país sul-americano para sempre! Foi essa a mensagem que alguns media tentaram passar durante o dia de ontem, numa clara violação do código ético do jornalismo. A verdade é que foi referendada uma emenda à constituição venezuelana que permite não só ao presidente do país como a todos os titulares de cargos políticos públicos recandidatarem-se em eleições as vezes que queiram e serem reeleitos sempre que o povo assim o decidir.

Outros media, um pouco menos imparciais, focaram o facto de ter sido o segundo referendo do mesmo teor em 2 anos para Chávez ver estendido de forma ilimitada os seus poderes. Nada mais errado, visto que no referendo de 2007 apenas a suspensão do limite de mandato do presidente venezuelano estava em questão. Em 2009 foram sufragados todos os cargos políticos públicos sem excepção.

O ataque continuou ao apelidarem Chávez de ditador populista visto que tenta perpetuar-se no poder e só o vai conseguir através de um segundo referendo. E agora pergunto eu, a União Europeia não está a tentar por todos os meios que o referendo na Irlanda seja novamente realizado, por forma a que a constituição europeia saia desta vez vencedora? Está sim, mas são os senhores finos da Europa, os donos do capital, que tentam por todos os meios expandir o neoliberalismo, o federalismo e o militarismo. Aqui já está correcto, não se pode criticar nem dizer mal destes senhores. O malandro do Chávez tenta colocar em prática um regime vincadamente socialista, totalmente antagónico ao protagonizado pelos senhores da UE, já se pode dizer cobras e lagartos dele.

Até nós em Portugal repetimos um referendo de forma a que a despenalização do aborto fosse finalmente efectuada, tudo por culpa do PS e do BE, que insistiram veementemente nesta solução em contraponto ao PCP, que sempre defendeu a despenalização votada na Assembleia da República (afinal os deputados foram eleitos para fazerem alguma coisa...), com o argumento que o referendo não teria os 50% de participação vinculativos. E não teve mesmo, originando que ainda hoje a Direita e a Igreja não estejam conformadas com a entrada em vigor dessa lei. Quem sabe um dia que voltem ao poder (oxalá que nunca) voltem a fazer um referendo para voltar a punir criminalmente o aborto...

Portanto, há que saber analisar as coisas com rigor e transparência, não opinando sobre as mesmas conforme mais convém. Em Portugal é possível termos um presidente dum governo regional há mais de 30 anos, assim como vários presidentes de câmaras municipais, porque razão chamamos ditador a um homem que tenta fazer algo semelhante? Apelidamos de ditador um homem que foi eleito democraticamente pelo povo venezuelano e sofreu na pele a tentativa de um golpe de estado em 2002 por parte das forças conservadoras desse país com o apoio tácito dos EUA e de Espanha? A comunicação social que tenha coerência nas análises e não nos tome a todos por burros e mentecaptos!

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Vidente?


"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado."

Karl Marx, in O Capital, 1867

Qualquer semelhança com a realidade actual não é mera coincidência...

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Até onde chegará este Aston Villa?


"No que toca à corrida ao título o Aston Villa pode ser o candidato inesperado. Martin O'Neill está a realizar um trabalho impressionante e podem surpreender muita gente". Estas palavras, proferidas por Alex Ferguson em meados de Setembro, soaram pouco plausíveis e houve muitos que as entenderam como uma pequena provocação aos outros três tradicionais candidatos ao título inglês: Chelsea, Liverpool e Arsenal, que formam juntamente com o Man Utd o grupo dos Big 4, as equipas que nos últimos anos têm dominado de forma avassaladora o futebol inglês.
A verdade é que passados cerca de 5 meses os villans encontram-se no 3º lugar ex aequo com o Chelsea, a 5 pontos do líder Man Utd, a apenas 3 do Liverpool e com 5 de vantagem sobre o Arsenal, confirmando-se não só como a grande revelação da prova como forte candidato a um lugar na Champions na próxima temporada. O título, para já, não é assumido como objectivo, mas se até final da época a situação se proporcionar porque não?

O técnico norte-irlandês Martin O'Neill dispõe normalmente a equipa de Birmingham num 4*3*3 apresentando um futebol rápido e vistoso, com forte exploração de jogo pelas alas e declarada aposta no contra-ataque, em especial nos jogos fora de casa, já que conta com um trio ofensivo bastante veloz e dinâmico.

A baliza está à guarda do veterano norte-americano Brad Friedel, contratado no último Verão ao Blackburn, onde passou as últimas 8 temporadas. Aos 37 anos mantem uma notável forma física destacando-se pela extrema segurança transmitida à equipa. Bateu recentemente o recorde do maior número de jogos consecutivos na Premiership com o incrível número de 176 partidas!
O patrão da defesa é o dinamarquês Martin Laursen, antigo jogador do Milan, fortíssimo fisicamente e no jogo aéreo. Grande teste ao rendimento defensivo do Villa será a sua ausência por 2 meses em virtude de uma cirurgia a um joelho embora o espanhol Carlos Cuéllar e o Zat Knight ofereçam garantias duma substituição efectiva do capitão de equipa. O outro central titular é por norma Curtis Davies, inglês de 23 anos que está a confirmar um enorme potencial.
Nas laterais actuam Nigel Reo-Cocker e Luke Young, dois jogadores rápidos bastante efectivos no apoio ao ataque, embora se tratem de adaptações ao lugar já que Reo-Cocker é centrocampista de origem e Young passou da direita para a esquerda da defesa devido à lesão do holandês Wilfred Bouma.

No meio campo o destaque vai por inteiro para Gareth Barry, jogador extremamente versátil e actual titular da selecção inglesa. Barry estreou-se na Premiership pelo Villa aos 17 anos como defesa central, tendo com o passar dos anos evoluído para defesa esquerdo, médio esquerdo até se fixar como médio organizador. No último Verão esteve prestes a assinar pelo Liverpool e como demonstrou vontade de representar os reds perdeu a braçadeira de capitão. Apesar disso, tem mantido um rendimento impressionante, todo o futebol ofensivo dos villans passa pelo seu excelente pé esquerdo. Com apenas 27 anos já ultrapassou a marca de 400 jogos pelo Aston Villa e com a lesão de Laursen foi novamente nomeado capitão de equipa.
Os carregadores de piano são Steve Sidwell, contratado no último Verão ao Chelsea e Stilyan Petrov, búlgaro vindo do Celtic em 2006 tal como Martin O'Neill.

O trio ofensivo é todo ele formado por jovens. O extremo direito é James Milner, jogador de grandes atributos técnicos que se estreou na Premiership com apenas 16 anos ao serviço do Leeds United. Na esquerda evolui Ashley Young, dono de um óptimo pé esquerdo, bastante rápido e perigoso em lances de contra-ataque. O ponta de lança é muito provavelmente a maior revelação do ano na Premiership, chama-se Gabriel Agbonlahor, leva 11 golos no campeonato e estreou-se recentemente pela selecção principal inglesa. Dotado tecnicamente, extremamente rápido e óptimo finalizador tem tudo para ser um caso sério no futebol inglês e europeu. Fiquem atentos a ele no próximo Euro Sub-21.
A recente chegada de Emile Heskey promove novas alternativas ao futebol do Villa, como uma eventual aposta num jogo mais directo, nomeadamente nas partidas em casa, beneficiando da enorme compleição física do antigo jogador dos reds.

Como jogador, Martin O'Neill, destacou-se ao serviço da selecção da Irlanda do Norte no Mundial de 82 e sagrou-se bi-campeão europeu pelo Nottingham Forest em 79 e 80. Como treinador começou a dar nas vistas ao serviço do Leicester City, modesto clube que promoveu à Premiership em 1996 e levou à conquista de duas Taças da Liga. Em 2000 assumiu o comando do Celtic onde venceu 3 campeonatos e 3 taças escocesas além de ter chegado à célebre final da Taça UEFA de 2003, perdida para o Porto de Mourinho no prolongamento.
Deixa Glasgow em 2005 e após um ano de paragem assume o comando do Aston Villa, que apenas terminara a época de 2005/06 no 16º lugar. Com tempo e espaço para aplicar os seus métodos, O'Neill levou a equipa na temporada passada a um bom 6º lugar depois de um razoável 11º na época de estreia.
Ainda em prova na Taça UEFA e na FA Cup, O'Neill tem razões para estar optimista quanto ao futuro, construiu uma equipa praticamente de raíz, sem grandes estrelas e com pouco dinheiro. Quando, recentemente, um jornalista lhe perguntou se o Villa poderia, esta época, conquistar o título de campeão, que já não vence há 28 anos, a resposta não poderia ser mais explícita: "Está bêbedo?".
A verdade é que, embora o Villa se encontre inserido na luta pelo título, os últimos quatro meses da temporada são um teste de resistência e perseverança. Aí veremos se o Villa tem estofo para aguentar a pressão e O'Neill saberá certamente isso.


segunda-feira, fevereiro 02, 2009

há dias 'espectaculares'....

um tipo planeia uma viagem de comboio com antecedência e ponderação, preterindo o carro em favor da possibilidade de aproveitar o tempo da viagem fazendo várias coisas, complicadas de fazer enquanto se conduz... sabe que tem que apanhar um autocarro a determinada hora para chegar a tempo à estação de caminhos de ferro... está na paragem do autocarro à hora tabelada... o autocarro atrasa meia hora... chega à estação de caminhos de ferro 2 minutos depois do desejado comboio partir... recorre ao plano B, carro... a meio da viagem tem um furo... finalmente, chega ao destino uma hora e meia depois do inicialmente previsto... no final desse dia espectacular só apetece gritar F*DA-SE!... mas, em honra do respeito pelos vizinhos limita-se a escrevê-lo....

You & Me


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